Foi no dia 16 de outubro que aconteceu o lançamento oficial do ROG Ally Xbox Edition, o primeiro portátil desenvolvido em parceria entre Asus e Xbox, prometendo levar o ecossistema do Game Pass para a palma da mão. No entanto, o que era para ser uma boa notícia para os fãs da marca se tornou rapidamente um motivo de polêmica: o produto está chegando ao Brasil com preços que variam de R$ 9.500 a quase R$ 15.000, dependendo da versão.
O valor, revelado por anúncios do marketplace OctaShop, fez o público reagir com espanto nas redes sociais. Isso porque o portátil não é fabricado nem distribuído oficialmente pela Microsoft no Brasil, sendo um produto importado por terceiros, o que eleva o preço devido aos impostos e custos logísticos. Nos Estados Unidos, o modelo padrão custa US$ 600, enquanto a versão mais potente, ROG Ally X, sai por US$ 1.000 — algo em torno de R$ 5.500 a R$ 5.800 na conversão direta. Com os encargos e taxas brasileiras, o preço final ultrapassa facilmente o dobro do valor original.
Um portátil poderoso, mas fora da realidade do brasileiro
O ROG Ally Xbox Edition é uma versão especial do já conhecido portátil da Asus, que roda Windows 11 e é compatível com jogos de várias plataformas, incluindo Steam, Epic Games e Game Pass. O modelo promete desempenho superior ao Steam Deck e ao Nintendo Switch, com processadores AMD Z1 Extreme, SSD rápido e tela Full HD de 120Hz.
Ainda assim, o alto preço cobrado no Brasil o coloca fora do alcance da maioria dos consumidores. Por valores semelhantes, é possível montar um PC gamer completo, adquirir um notebook potente ou até comprar um console de mesa de última geração com acessórios.
No mercado nacional, versões do ROG Ally padrão (sem a marca Xbox) podem ser encontradas por R$ 5.700 a R$ 9.000 em lojas como Kabum e Mercado Livre, o que levanta dúvidas sobre a real vantagem da edição especial. Além disso, a versão mais cara, vendida pela Asus, chega a oferecer até 8 TB de armazenamento, enquanto o modelo Xbox tem apenas 1 TB, o que acentua a percepção de que o novo portátil é um mau negócio no Brasil.
Xbox no Brasil: abandono ou estratégia?
O lançamento do ROG Ally Xbox também reacende um debate mais profundo sobre o posicionamento da Microsoft no Brasil. Nos últimos anos, o Xbox tem reduzido sua presença no mercado brasileiro, com aumentos no preço do Game Pass, reajustes nos consoles e a ausência de fabricação local.
Durante a pandemia, o país chegou a discutir isenções de impostos para consoles e jogos digitais, o que resultou em breves reduções de preço. Agora, porém, o cenário é o oposto: produtos importados, inflação alta e falta de incentivo fiscal fazem do Brasil um dos mercados mais caros do mundo para o setor de games.
Enquanto o Xbox parece focar seus esforços no mercado norte-americano e europeu, o público brasileiro se vê cada vez mais afastado da marca — tanto pelo custo quanto pela falta de suporte local.
Um console de luxo em um país sem poder de compra
No fim das contas, o ROG Ally Xbox Edition representa mais um símbolo da desigualdade no mercado gamer brasileiro. O produto chega como um item de luxo, acessível apenas a poucos entusiastas ou colecionadores.
Com valores que ultrapassam o de um carro usado, o portátil reforça a distância entre o consumidor brasileiro e as novidades internacionais. A OctaShop, responsável por importar o modelo, deve trazer apenas pequenas quantidades, ciente de que o público para esse tipo de produto é extremamente restrito.
Enquanto isso, muitos jogadores optam por versões mais acessíveis do ROG Ally tradicional, que já oferecem o mesmo desempenho e compatibilidade com o ecossistema do Xbox, mas a um custo mais realista.
A chegada do ROG Ally Xbox ao Brasil é, ao mesmo tempo, um marco e um reflexo. Um marco por ser o primeiro dispositivo portátil com o selo Xbox, e um reflexo da crise de acesso ao entretenimento digital vivida no país.
Se a Microsoft e a Asus pretendem conquistar o público brasileiro, será necessário repensar estratégias de preço e distribuição. Do contrário, o ROG Ally Xbox corre o risco de se tornar apenas uma curiosidade — um produto comentado, mas pouco vendido.


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