A Valve finalmente confirmou sua nova geração de dispositivos voltados para jogos e realidade virtual, encerrando meses de expectativas, rumores e vazamentos. Em 12 de novembro de 2025, a empresa anunciou oficialmente dois novos produtos que chegam ao mercado no início de 2026: o Steam Frame, um headset de realidade virtual sem fio que se integra de forma completa ao ecossistema do Steam, e o Steam Machine, um PC portátil de alto desempenho que mira diretamente o mercado de consoles de sala como Xbox Series X/S e PS5. A revelação marca uma expansão significativa da presença da Valve no segmento de hardware, reafirmando seu compromisso com experiências abertas, poderosas e acessíveis.
Steam Frame: a nova aposta da Valve para dominar a realidade virtual
O Steam Frame foi apresentado como um headset premium de realidade virtual sem fio, construído para oferecer alta imersão e qualidade de imagem superior. O dispositivo utiliza streaming foveado — uma técnica avançada que concentra o processamento gráfico na área onde o usuário está olhando — permitindo que o sistema entregue nitidez mais de dez vezes superior aos métodos convencionais de renderização remota. Isso faz com que mesmo jogos pesados rodem com clareza impressionante, mesmo sem depender exclusivamente do poder interno do headset.
Para garantir uma experiência fluida e sem quedas de conexão, o Steam Frame acompanha um adaptador sem fio com rádios duplos que eliminam completamente o uso de cabos. A proposta é oferecer liberdade total de movimento, transformando jogos VR em experiências mais naturais e menos limitadas.
No quesito visual, o dispositivo se destaca com dois painéis LCD de 2160×2160, capazes de operar entre 72 Hz e 144 Hz. Essa flexibilidade beneficia tanto jogadores que buscam economia de energia quanto aqueles que preferem a fluidez máxima em títulos mais rápidos e competitivos. As quatro câmeras externas de alta resolução, combinadas com LEDs infravermelhos, garantem tracking preciso mesmo em ambientes menos iluminados, algo essencial para experiências em VR mais complexas.
O hardware interno inclui um processador Snapdragon série 8, 16 GB de RAM e opções de armazenamento entre 256 GB e 1 TB, com expansão via microSD. A bateria de 21,6 Wh oferece longas sessões de uso, e o headset possui duas portas USB-C para acessórios, carregamento e conectividade. Tudo isso vem acompanhado de dois controles redesenhados, com cerca de 40 horas de autonomia e compatibilidade não só com experiências VR, mas também com jogos tradicionais do Steam.
Por rodar SteamOS, o Steam Frame tem acesso total à biblioteca do Steam, com suporte para salvamento na nuvem, suspensão instantânea, retomada rápida e integração com o Steam Controller. Além disso, o headset suporta streaming direto do Steam Deck, permitindo que usuários aproveitem jogos instalados no portátil em realidade virtual — ainda que de forma adaptada.
Novo Steam Controller: mais precisão, mais imersão
A Valve também apresentou o novo Steam Controller, que acompanha a família de dispositivos anunciados. O controle inclui vibração de alta definição, giroscópio aprimorado e joysticks magnéticos de última geração, resistentes a drift e desgaste. Seus dois trackpads, marca registrada da linha Steam, foram redesenhados para oferecer precisão ampliada — crucial para jogos de estratégia, construção ou títulos originalmente pensados para teclado e mouse.
A compatibilidade total com SteamOS garante que milhares de jogos já contarão com perfis da comunidade, facilitando a adaptação do controle aos mais diversos estilos de gameplay.
Steam Machine: desempenho seis vezes maior que o Steam Deck
Embora o Steam Frame seja a grande inovação tecnológica, foi o Steam Machine que chamou atenção pelo seu potencial impacto no mercado de jogos para salas de estar. A Valve apresentou o dispositivo como um PC compacto com desempenho seis vezes superior ao Steam Deck. Isso posiciona o produto entre consoles de nova geração e PCs intermediários — mas em um formato portátil e mais acessível.
O Steam Machine utiliza uma CPU AMD Zen 4 semi-customizada de seis núcleos rodando a até 4,8 GHz, acompanhada por uma GPU AMD RDNA3 semi-customizada com 28 CUs e 8 GB de VRAM GDDR6. Esse conjunto, aliado ao suporte a upscaling via FSR, permite que jogos rodem em 4K a 60 FPS com surpreendente consistência. A presença de 16 GB de RAM DDR5 garante folga para multitarefa e jogos que exigem mais memória.
O dispositivo contará com versões de 512 GB e 2 TB de armazenamento via SSD NVMe, além de suporte a microSD de alta velocidade. Por rodar SteamOS, ele funciona como um PC completo: pode navegar, transmitir vídeos, trabalhar com aplicativos externos e conectar acessórios, incluindo mouse, teclado e gamepads.
Seu design em formato de cubo reforça a proposta de funcionar como um “PC de console”, ideal para ficar ao lado da TV, com acesso simplificado e inicialização rápida — algo que a Valve já buscava desde sua primeira tentativa com o Steam Machine de 2015. Agora, porém, a tecnologia amadureceu o suficiente para uma segunda chance real no mercado.
Mercado, impacto e expectativas
Embora a Valve não tenha revelado preços, especialistas acreditam que a empresa tentará posicionar os produtos para competir diretamente com os consoles tradicionais. O Steam Machine, em especial, representa uma ameaça real ao Xbox e ao PlayStation, ao oferecer liberdade de software, preços potencialmente menores para jogos e integração total ao Steam — a maior plataforma de games do mundo.
Já o Steam Frame chega em um momento em que a realidade virtual cresce, mas ainda carece de headsets com bom custo-benefício e ecossistema forte. A Valve pretende preencher exatamente essa lacuna, oferecendo a plataforma de VR mais acessível, compatível e aberta do mercado.
Com ambos os produtos já disponíveis para a lista de desejos no Steam, a expectativa é que pré-vendas sejam anunciadas nos primeiros meses de 2026. Caso entreguem o que prometem, o Steam Frame e o Steam Machine poderão redefinir o futuro da Valve no mercado de hardware e influenciar toda a indústria de jogos.

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