A Ubisoft, uma das maiores desenvolvedoras da indústria de games, está atravessando mais um momento decisivo em sua história. Depois de anos de controvérsias, fracassos comerciais e reestruturações internas, a empresa francesa acaba de oficializar uma parceria de peso com a Tencent e investidores da Arábia Saudita, criando um novo estúdio chamado Ventage Studios — responsável por conduzir o futuro de suas principais franquias: Assassin’s Creed, Far Cry, Rainbow Six e Watch Dogs.
A iniciativa promete injetar bilhões de dólares nos cofres da Ubisoft, que enfrenta sérias dificuldades financeiras há anos. O acordo prevê que, no curto prazo, a companhia francesa receba capital para reduzir dívidas; no longo prazo, porém, a Tencent poderá adquirir maior participação nas franquias envolvidas, o que levanta dúvidas sobre o controle criativo da Ubisoft no futuro.
“É uma aposta de sobrevivência. A Ubisoft ganha fôlego financeiro agora, mas pode perder o controle de suas maiores marcas daqui a alguns anos”, afirmam analistas do mercado.
A saída de Marc-Alexis Côté: o fim de uma era em Assassin’s Creed
O anúncio da Ventage Studios veio acompanhado de uma notícia que pegou os fãs de surpresa: Marc-Alexis Côté, vice-presidente e produtor executivo da franquia Assassin’s Creed, anunciou sua saída da Ubisoft após quase 20 anos de casa.
Côté foi uma das figuras mais influentes da história da série, participando desde Assassin’s Creed Brotherhood (2008) e liderando títulos como Assassin’s Creed III e Syndicate. Desde 2022, era o principal responsável pela direção estratégica da franquia, supervisionando o desenvolvimento de projetos recentes como Assassin’s Creed Mirage e Assassin’s Creed Shadows.
A decisão foi comunicada internamente pelo próprio Charles Guillemot, membro da família fundadora da Ubisoft, que agradeceu publicamente o legado de Côté:
“Marc-Alexis foi essencial para transformar Assassin’s Creed na marca global que é hoje. Sua liderança e criatividade deixaram uma marca profunda em nossas equipes e jogadores.”
Segundo fontes internas, a Ubisoft chegou a oferecer a Côté uma posição de liderança dentro do novo estúdio Ventage Studios, mas ele recusou o convite. Motivos pessoais, divergências criativas e até discordâncias com a direção imposta pela Tencent estão entre as possíveis causas.
Uma mudança inevitável — mas positiva ou negativa?
O momento marca uma transição sensível para a Ubisoft. A saída de um executivo tão influente justamente quando a empresa busca renovar suas franquias sinaliza tensões internas e incertezas sobre o futuro.
Por um lado, há quem veja a saída de Côté como uma perda irreparável de talento e experiência. Por outro, críticos apontam que o diretor vinha enfrentando dificuldades em revitalizar Assassin’s Creed, especialmente após a recepção morna de Mirage e as duras críticas a Shadows, considerado por muitos o jogo mais controverso da saga.
Assim, o afastamento do veterano pode abrir espaço para novas ideias, novas lideranças e uma tentativa real de reinventar Assassin’s Creed — algo que fãs e analistas dizem ser urgente.
“A franquia precisa voltar às origens, respeitar sua identidade e ouvir o público novamente”, comentou um ex-funcionário da Ubisoft sob anonimato.
Tencent ganha espaço — e o futuro das franquias ocidentais muda
A parceria entre Ubisoft, Tencent e investidores sauditas reforça a crescente influência chinesa no mercado de jogos ocidentais. A Tencent, dona de participações em gigantes como Riot Games e Epic Games, tem se consolidado como o principal investidor global em entretenimento digital.
Com o novo estúdio Ventage Studios, a empresa chinesa agora participa ativamente do desenvolvimento das maiores IPs da Ubisoft — um movimento que, embora traga estabilidade financeira, também desperta receios sobre o controle criativo e as diretrizes culturais das futuras produções.
Especialistas acreditam que, dentro de 5 a 10 anos, a Tencent poderá aumentar sua fatia de participação, potencialmente assumindo o comando definitivo das franquias Assassin’s Creed e Far Cry.
A Ubisoft vive um momento de reconstrução e risco. A criação da Ventage Studios e a saída de Marc-Alexis Côté podem representar o início de uma nova era — seja ela de renascimento ou de declínio.


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