A Valve continua acelerando o marketing em torno do Steam Machine, seu novo PC compacto preparado para jogos de alta performance e pensado para competir diretamente com consoles. Com lançamento previsto para o início de 2026, o dispositivo vem chamando atenção não apenas pelo preço competitivo, mas principalmente pela promessa ambiciosa: entregar jogos em 4K a 60 FPS com auxílio do AMD FSR — algo que tradicionalmente exige hardware muito mais caro em PCs convencionais.
Para avaliar essas promessas, a Digital Foundry, referência em análises técnicas, realizou testes aprofundados com o Steam Machine usando Cyberpunk 2077, um dos jogos mais pesados e exigentes da atualidade. Segundo o relatório, o dispositivo conseguiu rodar o título em 1440p a 60 quadros por segundo, utilizando upscaling, com relativa facilidade e estabilidade na maior parte do tempo. Essa conquista é impressionante, considerando que o jogo é notório por desafiar até PCs sofisticados e placas de vídeo modernas.
No entanto, o teste também destacou os limites claros do hardware. Ao ativar sombras e reflexos solares com ray tracing, o desempenho caiu drasticamente para cerca de 30 FPS, uma redução bastante significativa que indica que o Steam Machine ainda enfrenta dificuldades com recursos gráficos que demandam grande poder de processamento. Isso reforça a expectativa de que, embora o dispositivo suporte 4K/60 FPS em alguns títulos com FSR ativo, essa realidade não será universal, especialmente em jogos mais recentes e tecnicamente avançados como Cyberpunk 2077.
A queda para 30 FPS não é necessariamente surpreendente, considerando que o ray tracing dependendo da configuração costuma exigir GPUs de alto nível — como as séries RTX 4080 ou Radeon 7900 — para manter desempenho elevado em resoluções superiores a Full HD. Ainda assim, o comportamento registrado no Steam Machine deixa claro que o foco do dispositivo provavelmente será oferecer uma experiência sólida com upscaling e recursos otimizados, e não competir diretamente com PCs topo de linha.
Desempenho próximo ao PS5 — e em alguns casos, superior ao Series S
Em sua análise, a Digital Foundry sugeriu que o Steam Machine parece entregar desempenho que se posiciona entre o Xbox Series S e o PlayStation 5, inclinando-se mais para o lado do console da Sony em termos de potência bruta. Isso pode animar jogadores que buscam um dispositivo portátil ou compacto que consiga acompanhar a atual geração sem comprometer tanto o desempenho.
A comparação faz sentido: Cyberpunk 2077 também roda com limitações nos consoles, e tanto o PS5 quanto o Xbox Series X precisam alternar entre modos de desempenho e qualidade para tentar equilibrar resolução, taxa de quadros e uso ou não do ray tracing. Nesse cenário, ver o Steam Machine alcançar 1440p/60 FPS com upscaling é um sinal claro de que a Valve pode estar no caminho certo ao buscar uma alternativa forte aos consoles tradicionais, tentando unir a flexibilidade do PC com a acessibilidade do mundo console.
A Valve e seu ecossistema: Steam Machine, Steam Frame e Steam Controller
Esse novo ciclo de hardware da Valve marca uma mudança estratégica importante. Depois de enfrentar críticas e desafios com o Steam Deck, principalmente em relação à temperatura, ruído e limitações de desempenho em jogos AAA, a empresa parece empenhada em reconquistar a confiança do público. O Steam Machine surge como uma opção intermediária: mais poderoso que o Deck, mais compacto e acessível que um PC tradicional montado à mão.
Além dele, dois outros lançamentos prometem reforçar o ecossistema da Valve:
Steam Frame, pensado para streaming de jogos e integração com TVs;
Novo Steam Controller, reformulado após o fracasso do primeiro modelo, agora com ergonomia atualizada e foco em precisão.
A chegada dos três produtos simultaneamente oferece uma forte indicação de que a empresa quer se posicionar como uma alternativa real aos consoles, ao mesmo tempo em que tenta consolidar seu próprio ecossistema doméstico para jogos de PC.
FSR como aliado — mas não uma solução mágica
Um dos principais trunfos tecnológicos do Steam Machine é o uso intensivo do AMD FidelityFX Super Resolution (FSR). O sistema de upscaling permite que o hardware processe o jogo em resoluções menores e reconstrua a imagem para 1440p ou 4K com boa nitidez, reduzindo a carga da GPU. Isso é essencial para manter altas taxas de quadros em jogos pesados.
No entanto, como mostram os testes, FSR por si só não compensa o peso do ray tracing completo. Os efeitos de iluminação realista continuam sendo um dos recursos mais exigentes do mercado, e dispositivos de médio porte ainda não conseguem lidar com eles sem comprometer o desempenho.
Mesmo assim, a estabilidade alcançada em 60 FPS sem ray tracing ativo representa um salto importante para um PC compacto, principalmente considerando o preço competitivo prometido pela Valve.
O que esperar do lançamento oficial?
Resta aguardar para ver como o Steam Machine se comportará com outros títulos exigentes e como será sua experiência no dia a dia dos jogadores. Testes independentes, benchmarks detalhados e comparativos diretos com PS5 e Xbox Series X serão essenciais para definir a real posição do dispositivo no mercado.
Para jogadores traumatizados pelo Steam Deck, como brincou a Digital Foundry em seu relatório, a compra pode ser menos assustadora desta vez. Com melhor refrigeração, potência superior e suporte nativo a FSR, o Steam Machine pode representar finalmente o equilíbrio entre acessibilidade e desempenho que tantos buscavam.
O lançamento está previsto para início de 2026, e até lá a Valve certamente trará mais detalhes sobre especificações, preço final e compatibilidade. Mas, se depender do desempenho inicial em Cyberpunk 2077, o futuro do dispositivo parece promissor — desde que o jogador não se apegue demais ao ray tracing.

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