A Square Enix, uma das desenvolvedoras mais icônicas da indústria dos games, conhecida por franquias lendárias como Final Fantasy, Kingdom Hearts e Dragon Quest, confirmou uma nova onda de demissões em massa que pode afetar mais de 100 funcionários nos Estados Unidos e no Reino Unido. A decisão faz parte de uma reestruturação global que visa centralizar o desenvolvimento de jogos no Japão e reduzir custos operacionais em mercados internacionais.
A notícia foi inicialmente revelada por funcionários afetados nas redes sociais e posteriormente confirmada por um memorando interno vazado, no qual a empresa delineia seus planos para o futuro. O documento menciona que a Square Enix pretende “reorganizar as operações no exterior” e aumentar a integração da inteligência artificial (IA) em seus processos internos.
Demissões nos EUA e Reino Unido
Embora o número exato ainda não tenha sido oficialmente divulgado, estima-se que 137 funcionários no Reino Unido possam ser demitidos após as consultas legais obrigatórias. Já nos Estados Unidos, as demissões devem afetar equipes de publicação, marketing e controle de qualidade, especialmente nos escritórios localizados em Los Angeles e Londres.
Essa decisão ocorre em um momento em que a indústria de jogos enfrenta uma crise generalizada de emprego. Em 2025, empresas como Microsoft, Bungie, Epic Games e Ubisoft também realizaram cortes significativos, refletindo um cenário de retração e reestruturação em diversas partes do setor.
Foco total no Japão e automação com IA
De acordo com o memorando interno, a Square Enix encerrará gradualmente as operações de desenvolvimento fora do Japão, concentrando todos os seus esforços criativos e técnicos em estúdios japoneses. A justificativa seria “a necessidade de melhorar a eficiência operacional e fortalecer a competitividade global”.
Um dos pontos mais polêmicos é a adoção intensiva de IA generativa nos processos de controle de qualidade e depuração de jogos. A empresa planeja que, até o final de 2027, cerca de 70% dessas tarefas sejam realizadas por sistemas de inteligência artificial, com o objetivo de reduzir custos e acelerar o ciclo de produção.
“Estamos comprometidos em aprimorar a eficiência das operações de controle de qualidade e estabelecer uma vantagem competitiva no desenvolvimento de jogos”, diz o trecho do documento.
Esse movimento representa uma mudança drástica na cultura da Square Enix, tradicionalmente conhecida por seu foco em artesanato humano e narrativas emocionais profundas. Ao mesmo tempo, demonstra a tentativa da empresa de se adaptar às novas tendências tecnológicas que vêm moldando o futuro da indústria.
Projetos em andamento e futuro incerto
Nos últimos anos, a Square Enix tem mantido discrição em relação a seus principais títulos, como Kingdom Hearts 4 e a Parte 3 do remake de Final Fantasy VII, ambos ainda sem previsão oficial de lançamento. Outros projetos promissores, como Octopath Traveler 0 e o remake de Dragon Quest VII, seguem em desenvolvimento, mas agora sob uma nova estrutura corporativa.
Apesar das incertezas, a empresa reforça que não pretende interromper seus planos de expansão de franquias. O memorando cita uma estratégia para ampliar a presença de propriedades intelectuais em outras mídias, como séries e filmes. Um exemplo recente é a adaptação de Life is Strange, que está sendo produzida pela Amazon Prime Video e promete explorar o universo emocional do jogo de forma mais cinematográfica.
Crise global na indústria dos games
As demissões na Square Enix refletem um problema mais amplo no setor de jogos, que vive uma fase de ajuste pós-pandemia. Após um período de crescimento explosivo entre 2020 e 2022, muitas empresas enfrentam queda nas receitas, aumento de custos e saturação de mercado.
Em 2025, estima-se que mais de 10 mil profissionais da indústria de games tenham sido demitidos em todo o mundo. Mesmo gigantes como Microsoft, que cortou cerca de 1.900 funcionários no início do ano, e Sony, que realizou reestruturações na PlayStation Studios, enfrentam dificuldades para equilibrar crescimento e sustentabilidade.
A aposta da Square Enix na automação por IA pode representar uma nova direção estratégica, mas também levanta preocupações sobre a substituição de profissionais humanos e a perda de criatividade — características que sempre definiram o legado da empresa.
O impacto na imagem da empresa
A reação da comunidade foi imediata. Jogadores e fãs expressaram preocupação e descontentamento nas redes sociais, especialmente diante da possibilidade de que a qualidade e identidade artística dos jogos futuros possam ser comprometidas pela automação.
Além disso, críticos destacam que a Square Enix tem enfrentado dificuldades financeiras e instabilidade gerencial nos últimos anos, com vendas abaixo do esperado de alguns títulos e mudanças constantes em sua liderança executiva.
Apesar disso, a empresa insiste que as mudanças são parte de um “plano de transformação sustentável” que permitirá à Square Enix “continuar entregando experiências de jogo excepcionais para o público global”.
Um novo capítulo para a Square Enix
Com a centralização no Japão, integração de IA e redução de custos operacionais, a Square Enix parece determinada a redefinir sua estrutura corporativa para enfrentar os desafios da próxima década. No entanto, o futuro ainda é incerto — tanto para os funcionários afetados quanto para os jogadores que cresceram com as histórias e personagens que marcaram gerações.
O que está claro é que a indústria de jogos está passando por uma transformação profunda, e o caso da Square Enix é apenas mais um reflexo de um setor em busca de equilíbrio entre inovação tecnológica e preservação da criatividade humana.


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