A RTX 5060 Ti chegou ao mercado com a difícil missão de suceder uma das placas mais populares da Nvidia, ao mesmo tempo em que carrega uma herança polêmica deixada pela série RTX 40. A nova geração, baseada na arquitetura Blackwell, promete ganhos de eficiência, DLSS atualizado e suporte ao Multi-Frame Generation — mas na prática, o que realmente entrega? E, principalmente: vale a pena comprar agora?
Antes de qualquer coisa, é importante entender que a RTX 5060 Ti existe em duas versões, uma com 8 GB e outra com 16 GB de VRAM — e isso muda drasticamente a percepção de valor. A Nvidia afirma dar mais foco ao modelo de 16 GB, mas o de 8 GB continua sendo colocado nas prateleiras para “bater preço”, criando um cenário confuso para o consumidor, com placas visualmente parecidas, mas oferecendo experiências bem diferentes dependendo do jogo e da resolução.
Arquitetura Blackwell? Sim, mas com pegadinhas
Apesar do salto de geração, a RTX 5060 Ti traz várias semelhanças com a 4060 Ti. O processo de fabricação é o mesmo da série anterior, e embora haja mudanças internas nos RT Cores e tensor cores, o que realmente importa para muitos usuários — o ganho bruto de FPS — continua modesto.
O aumento de desempenho médio em rasterização fica entre 11% e 14% quando comparada à 4060 Ti (16 GB vs 16 GB). Em algumas situações, o ganho é até menor. Ou seja, o salto geracional é tímido, especialmente quando lembramos o que a Nvidia entregava nas transições das séries 10 → 20 e 20 → 30.
O grande diferencial da geração Blackwell, segundo a Nvidia, seria o Multi-Frame Generation. Mas a tecnologia, apesar de promissora, depende de FPS base alto para funcionar bem — justamente algo que a 5060 Ti não entrega com folga em resoluções mais pesadas com ray tracing ativado.
As duas versões: 8 GB ou 16 GB? A decisão que define tudo
Aqui está a parte crítica da RTX 5060 Ti:
A versão de 16 GB é robusta, preparada para jogos modernos, e entrega muito mais estabilidade em Quad HD.
A versão de 8 GB, por outro lado, sofre com falta de memória em jogos atuais, especialmente títulos com texturas avançadas, ray tracing ou mundos abertos.
Em testes internacionais, a 5060 Ti de 16 GB normalmente bate a versão de 8 GB da série anterior em cenários onde VRAM é um gargalo — mas em jogos menos exigentes, ambas se aproximam bastante.
E a pergunta fica:
por que lançar uma placa de R$ 4.000+ com apenas 8 GB em 2025?
A resposta é simples: estratégia de preço e segmentação artificial. Nada justifica tecnicamente essa limitação.
Desempenho em rasterização: bom, mas frustrante
Em rasterização pura, onde apenas a força bruta da GPU importa, a 5060 Ti entrega números sólidos para Full HD e até Quad HD, mas fica abaixo do esperado para uma “placa de nova geração”. Ela perde para placas como:
RTX 4070 (16% mais rápida)
RTX 3080 (14% mais rápida)
RX 7800 XT (mais rápida em vários jogos)
E isso dói ainda mais quando lembramos que todas essas placas já chegaram a custar menos do que o preço atual da 5060 Ti.
Comparando saltos de geração:
3060 Ti → 4060 Ti: ~14%
4060 Ti → 5060 Ti: ~11%
3060 Ti → 5060 Ti: ~27%
Ou seja, quem está numa 3060 Ti até pode considerar, mas quem tem uma 4060 Ti praticamente não tem motivo para trocar.
Ray Tracing: evolução tímida
Mesmo com novos RT Cores, os ganhos em ray tracing continuam modestos:
Em Full HD, a 5060 Ti é apenas 7% mais rápida que a 4060 Ti.
Em Quad HD, o ganho sobe para algo entre 10% e 14%.
O salto é maior quando comparado à 3060 Ti, mas ainda assim não impressiona. Em jogos mais pesados com RT no máximo — como Cyberpunk 2077 e Alan Wake 2 — a 5060 Ti não apresenta FPS base alto o suficiente para o Multi-Frame Generation realmente brilhar.
Eficiência energética: um ponto positivo
Se há um mérito que a RTX 5060 Ti possui, é a eficiência energética. A placa consome menos que várias GPUs antigas e apresenta excelente desempenho por watt. Uma fonte de 600 W é suficiente para qualquer build com ela.
O problema?
Isso não compensa a falta de ganho real de performance para muitos usuários.
Preço no Brasil: o verdadeiro vilão
O lançamento brasileiro foi, sem exagero, caótico. Nenhuma RTX 5060 Ti chegou perto do preço sugerido pela Nvidia. Em muitos casos, o valor ultrapassava R$ 5.000, encostando em placas como a RTX 4070 — que simplesmente entrega muito mais desempenho.
Tudo isso em um cenário onde não havia taxação extra sobre GPUs importadas.
Ou seja: a justificativa para o preço alto não existia.
E afinal, vale a pena ou não?
Depende do contexto:
Vale a pena se:
você tem uma RTX 3060 Ti ou inferior;
precisa dos 16 GB para trabalhar ou jogar em Quad HD;
encontrar por menos de R$ 3.500 (preço ideal).
Não vale a pena se:
você já tem uma 4060 Ti;
pretende jogar em Full HD e não usa texturas pesadas;
encontrar por mais de R$ 4.000;
considerar alternativas melhores, como RX 7800 XT, RTX 4070 ou até RTX 3080 usada.
A RTX 5060 Ti é uma placa competente, eficiente e moderna — mas longe de ser a revolução que muitos esperavam. E, no fim das contas, a versão que você escolher pode transformar essa compra em um bom investimento… ou um enorme arrependimento.


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