A indústria dos videogames foi novamente abalada por uma polêmica envolvendo demissões em grande escala. Desta vez, o estúdio Rockstar Games, criador de Grand Theft Auto 6, enfrenta graves acusações de práticas antissindicais após dispensar entre 30 e 40 funcionários de seus escritórios no Reino Unido e no Canadá. A informação foi revelada por Jason Schreier, repórter da Bloomberg, e ganhou repercussão mundial.
Segundo relatos, as demissões ocorreram na última quinta-feira e surpreenderam os funcionários, que faziam parte de um grupo privado no Discord onde discutiam formas de organização sindical. O Sindicato Independente dos Trabalhadores da Grã-Bretanha (IWGB) afirmou que a ação da empresa teve como objetivo silenciar e desarticular o movimento sindical dentro da Rockstar.
Sindicato acusa repressão e “crueldade” da Rockstar
Em declaração pública, o presidente do IWGB, Alex Marshall, classificou as demissões como “um dos atos mais flagrantes e cruéis de repressão sindical na história da indústria de jogos”. Segundo ele, a decisão demonstra um “desprezo descarado pela lei e pela vida dos trabalhadores que geram bilhões para a empresa”.
Marshall também destacou que muitos dos profissionais dispensados contribuíram diretamente para o desenvolvimento de Grand Theft Auto 6, título mais aguardado da geração. Para o sindicato, a atitude da Rockstar representa uma tentativa de evitar a sindicalização em um momento em que discussões sobre melhores condições de trabalho ganham força no setor.
“Esse tipo de comportamento mostra que a empresa teme a organização coletiva dos seus funcionários. Isso não é sobre má conduta — é sobre controle e poder”, completou Marshall.
Take-Two nega acusações e fala em “má conduta grave”
Do outro lado, a Take-Two Interactive, controladora da Rockstar Games, respondeu rapidamente às alegações. Em nota oficial, o porta-voz Alan Lewis afirmou que as demissões ocorreram “devido a má conduta grave, e por nenhum outro motivo”.
Lewis reforçou que a empresa “apoia integralmente as ambições e a abordagem da Rockstar Games” e destacou que as decisões foram tomadas “com base em investigações internas”. No entanto, nenhum detalhe específico sobre as supostas infrações foi revelado.
A falta de transparência por parte da Rockstar e da Take-Two tem levantado suspeitas dentro e fora da empresa, alimentando debates sobre a veracidade da justificativa apresentada.
Possíveis motivações e o impacto do caso
Fontes internas sugerem que as demissões possam estar relacionadas a preocupações com segurança da informação, especialmente após o vazamento histórico de Grand Theft Auto 6 em 2022, quando dezenas de vídeos e imagens do jogo foram divulgados online por um hacker.
Apesar disso, o timing das demissões — justamente quando grupos de funcionários buscavam formalizar representações sindicais — tem reforçado a tese de retaliação corporativa. O IWGB afirma que pretende acionar autoridades trabalhistas britânicas e levar o caso à Justiça, pedindo reintegração e compensações aos funcionários dispensados.
Especialistas em relações de trabalho afirmam que, se comprovadas, as ações da Rockstar poderiam configurar violação das leis trabalhistas do Reino Unido, que protegem o direito de associação sindical e proíbem retaliações contra trabalhadores envolvidos em movimentos organizados.
GTA 6 e os desafios internos da Rockstar
Enquanto a polêmica se desenrola, o desenvolvimento de Grand Theft Auto 6 continua sendo o foco principal da Rockstar. O jogo, previsto para lançamento em 26 de maio de 2026, é considerado o maior projeto da história do estúdio e já passou por diversos desafios internos.
Relatórios anteriores indicam que parte da equipe tem enfrentado pressões intensas e longas jornadas de trabalho, um problema que remonta à época de Red Dead Redemption 2, quando ex-funcionários denunciaram a prática de “crunch” — o período de sobrecarga extrema antes do lançamento de grandes jogos.
A expectativa em torno de GTA 6 é gigantesca, e qualquer crise interna pode afetar o cronograma e a imagem pública da Rockstar. As acusações de práticas antissindicais, somadas ao histórico de controvérsias sobre condições de trabalho, colocam a empresa em uma posição delicada perante o público e os investidores.
Clima de incerteza e pressão por transparência
Até o momento, a Rockstar não emitiu uma declaração oficial direta sobre as acusações de repressão sindical. Internamente, relatos apontam para um clima de tensão e medo entre os funcionários que permaneceram na empresa. Muitos temem que expressar opiniões sobre sindicalização possa resultar em retaliações semelhantes.
O caso reacende o debate sobre a falta de proteção trabalhista na indústria de jogos, especialmente em estúdios de grande porte. Apesar de movimentar bilhões de dólares por ano, o setor ainda sofre com instabilidade, falta de sindicatos atuantes e pressões psicológicas intensas.
Com o IWGB prometendo ações legais e a imprensa internacional cobrindo o caso de perto, espera-se que a Rockstar e a Take-Two sejam forçadas a oferecer mais transparência sobre as motivações por trás das demissões.
Enquanto isso, fãs de GTA 6 observam atentamente, temendo que o escândalo possa impactar o desenvolvimento e atrasar o lançamento do jogo mais aguardado da década.


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