O universo de Red Dead Redemption pode estar longe de terminar. Em uma nova entrevista ao podcast de Lex Fridman, Dan Houser — cofundador e ex-roteirista principal da Rockstar Games — afirmou que um Red Dead Redemption 3 “provavelmente vai acontecer”, ainda que ele enxergue a história iniciada com Arthur Morgan e John Marston como um “arco coeso de dois jogos”.
A declaração de Houser repercutiu rapidamente entre fãs e especialistas da indústria, reacendendo discussões sobre o futuro da franquia e os caminhos que a Rockstar pode seguir após o lançamento de GTA 6. Segundo o criador, embora o mundo de Red Dead tenha potencial para novas histórias, a jornada dos personagens centrais já atingiu uma conclusão satisfatória.
“Cada um dos jogos Grand Theft Auto era uma história independente. Não é bem o mesmo com Red Dead; de certa forma, seria mais triste se alguém continuasse, porque era um arco coeso de dois jogos. Dito isso, provavelmente vai acontecer. Eu não possuo a propriedade intelectual — isso fazia parte do acordo: é um privilégio trabalhar em algo, mas você não necessariamente é dono disso”, explicou Houser.
Uma saga completa, mas um universo ainda aberto
As palavras de Houser ecoam um sentimento comum entre os jogadores que acompanharam a trajetória de Red Dead Redemption 2 até o primeiro jogo, lançado originalmente em 2010. Juntas, as duas obras formam uma narrativa circular: o segundo título serve como prelúdio do primeiro, mostrando a queda da gangue Van der Linde e o destino trágico de seus membros, culminando na transformação de John Marston no anti-herói que protagoniza o capítulo inicial.
A interligação emocional e narrativa entre os dois jogos é uma das razões pelas quais Houser considera a saga concluída. Red Dead Redemption 2, lançado em 2018, foi amplamente elogiado por sua profundidade temática, realismo técnico e construção de personagens. O jogo é frequentemente citado como uma das obras mais ambiciosas já produzidas pela Rockstar, consolidando o faroeste digital como uma das franquias mais reverenciadas da história dos games.
Contudo, a popularidade duradoura da marca e o sucesso comercial de Red Dead Redemption 2, que ultrapassou 60 milhões de cópias vendidas mundialmente, tornam quase inevitável que a Rockstar revisite o universo no futuro. Mesmo sem Houser — que deixou a empresa em 2020 —, a desenvolvedora ainda detém os direitos sobre a propriedade intelectual e possui uma equipe criativa capaz de dar continuidade à série.
O desafio de justificar um Red Dead Redemption 3
A principal questão, segundo Houser, é encontrar uma razão narrativa convincente para continuar a franquia. Red Dead é conhecida por seu foco em personagens complexos, dilemas morais e retratos realistas da decadência do Velho Oeste — elementos que tornam difícil simplesmente “expandir o mapa” ou introduzir novos protagonistas sem um propósito narrativo sólido.
“Uma terceira aventura precisaria se justificar”, observam críticos. A Rockstar, famosa por seu perfeccionismo e longos ciclos de desenvolvimento, dificilmente lançaria uma sequência apenas por motivos comerciais. No entanto, o sucesso contínuo de Red Dead Online e a paixão da comunidade indicam que há demanda por novas histórias ambientadas naquele mundo.
Uma das possibilidades mais comentadas pelos fãs seria um enredo situado antes dos eventos de Red Dead Redemption 2, explorando a juventude de Dutch van der Linde ou o passado de personagens como Sadie Adler e Charles Smith. Outra teoria sugere uma ambientação no início do século XX, mostrando a transição definitiva entre o Velho Oeste e a modernidade.
Houser fora da Rockstar, mas ainda influente
Embora Dan Houser não esteja mais envolvido com a Rockstar Games, sua visão criativa ainda influencia profundamente a indústria. Ele foi responsável pelos roteiros de clássicos como GTA: San Andreas, GTA V e Red Dead Redemption 2, sendo amplamente reconhecido por sua habilidade em criar mundos narrativos complexos e personagens memoráveis.
Após deixar a Rockstar, Houser fundou um novo estúdio, a Absurd Ventures, com foco em desenvolver projetos multimídia e explorar novas formas de narrativa interativa. O criador mantém uma postura discreta sobre suas produções atuais, mas deixa claro que acompanha com carinho o legado que ajudou a construir.
“É estranho ver algo que você ajudou a criar continuar sem você, mas também é bonito. Significa que a obra tem vida própria”, comentou durante a entrevista.
Um futuro inevitável para o Velho Oeste digital
Apesar da visão sentimental de Houser, os indícios apontam para um retorno inevitável da Rockstar à fronteira americana. A franquia Red Dead continua sendo uma das propriedades mais lucrativas e respeitadas do estúdio, rivalizando com GTA em qualidade e alcance cultural.
Com GTA 6 previsto para 2025, é provável que qualquer projeto relacionado a Red Dead Redemption 3 ainda esteja a anos de distância. No entanto, o simples reconhecimento de Houser de que “provavelmente vai acontecer” já é suficiente para reacender a esperança entre os fãs que sonham em revisitar o Oeste selvagem com as inconfundíveis marcas da Rockstar: narrativa cinematográfica, liberdade de exploração e realismo impressionante.
A fala de Dan Houser resume o dilema que a Rockstar enfrentará no futuro: como criar um novo Red Dead Redemption sem comprometer a integridade da história já contada? A saga de Arthur Morgan e John Marston encerrou um ciclo perfeito, mas o mundo que eles habitaram continua vasto o bastante para inspirar novas histórias.
Se o retorno ao Velho Oeste for inevitável, ele precisará vir acompanhado da mesma ousadia narrativa e atenção aos detalhes que transformaram Red Dead Redemption 2 em uma lenda moderna. Até lá, os fãs só podem esperar que a próxima cavalgada da Rockstar esteja à altura de seu legado.


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