A Valve anunciou oficialmente seu novo conjunto de dispositivos de hardware, incluindo a aguardada Steam Machine, mas permaneceu em silêncio sobre um dos detalhes mais aguardados pelos consumidores: o preço final do sistema. A empresa apresentou algumas diretrizes gerais sobre sua estratégia, mas as respostas vagas deixaram espaço para especulações — e especialistas da indústria já começam a apontar possíveis faixas de valor para o novo hardware, que pode chegar ao mercado no início da primavera de 2026.
Durante uma entrevista concedida após o anúncio, o engenheiro de hardware da Valve, Yazan Aldehayyat, foi questionado diretamente sobre o que os consumidores podem esperar em termos de preço. Embora não tenha revelado números, Aldehayyat afirmou que o objetivo da empresa é lançar a Steam Machine com um “preço competitivo” alinhado ao valor que entrega. Segundo ele, a prioridade é garantir que o sistema seja “acessível” dentro do atual cenário econômico global.
Aldehayyat destacou que a acessibilidade financeira nunca foi tão relevante quanto agora. Com inflação crescente e tarifas impactando diretamente a produção e o transporte de componentes, oferecer um dispositivo com excelente custo-benefício tornou-se parte essencial da estratégia da Valve. “A questão da acessibilidade é um dos motivos pelos quais acreditamos que a Steam Machine faz muito sentido neste momento”, explicou. “Sempre levamos isso em consideração ao tomar decisões sobre hardware e recursos: garantir que ela seja o mais acessível e econômica possível.”
As declarações reforçam o discurso da Valve, mas ainda deixam dúvidas sobre qual será o preço concreto do console híbrido — um dispositivo que promete unir a facilidade de uso de um console com a flexibilidade de um PC gamer rodando SteamOS. A empresa também não divulgou os valores do novo Steam Controller e do headset de realidade virtual Steam Frame, que acompanharão a nova fase do ecossistema de hardware da marca.
Com a previsão de lançamento marcada para a primavera de 2026 e pré-vendas esperadas meses antes, analistas já começaram a projetar possíveis faixas de preço com base nas especificações e no posicionamento de mercado da Valve.
US$ 400: o “ponto ideal” para competir com consoles
Segundo Rhys Elliott, analista da Alinea Analytics, o preço ideal para a Steam Machine seria US$ 400 em sua versão básica, já acompanhada de um controle. Para Elliott, esse seria um “sinal extremamente competitivo”, especialmente em um cenário no qual fabricantes de consoles como Sony e Microsoft vêm ajustando seus preços para cima.
“Hoje, um PS5 Digital custa US$ 499, enquanto o Xbox Series X Digital chega a US$ 599”, destacou. Para ele, lançar a Steam Machine abaixo desse patamar colocaria a Valve exatamente onde deseja: atingindo um público amplo, sem competir diretamente apenas com PCs de entrada. No entanto, ele alerta que valores superiores a US$ 500 poderiam representar um risco significativo, afastando consumidores que poderiam perceber o dispositivo como um PC de nicho com custo elevado.
Previsões mais altas: US$ 800 a US$ 1.200
Outros especialistas, porém, não compartilham desse otimismo. Michael Futter, da F-Squared, acredita que o preço inicial ficará entre US$ 800 e US$ 1.000 para a versão de 512 GB, podendo subir para US$ 1.100 no modelo de 2 TB. Para ele, as especificações da Steam Machine podem rivalizar com as do PlayStation 5 — e talvez até do PS5 Pro — o que justificaria um “preço salgado”.
Nessa mesma linha, David Cole, da DFC Intelligence, também estima que o hardware poderá começar em US$ 800, atingindo até US$ 1.000 com mais armazenamento. Cole afirma que a Valve pode adotar margens de lucro extremamente baixas — ou até vender no preço de custo — para consolidar sua presença no mercado de hardware, mas ainda assim acredita que os valores ficarão acima dos consoles tradicionais.
Já Joost Van Dreunen, da SuperData, sugere uma projeção intermediária: um preço inicial entre US$ 550 e US$ 750, variando conforme a capacidade interna. Ele também aposta que a Valve pode absorver parte dos custos para acelerar a adoção do SteamOS e expandir o ecossistema da Steam além dos PCs tradicionais.
Van Dreunen reforça que o verdadeiro lucro está no ecossistema — venda de jogos, acessórios, conteúdos e serviços. Para ele, o foco da Valve não é lucrar com o hardware em si, mas sim fortalecer a base de usuários que futuramente consumirão no Steam. “Estratégicamente, trata-se de expandir a plataforma, não de extrair lucro máximo do hardware”, afirmou.
E o jogo Deadlock? O outro mistério da Valve
Além das expectativas em torno do hardware, a Valve também chamou atenção com o desenvolvimento de Deadlock, um MOBA ainda envolto em mistério. O título já está em fase de testes fechados, mas a empresa não compartilhou detalhes sobre gameplay, data de lançamento ou posicionamento no mercado. O jogo reforça a ideia de que a Valve prepara um ecossistema completo para complementar sua nova linha de dispositivos.
Preços ainda indefinidos, expectativas em alta
A ausência de informações oficiais abre espaço para especulações, mas também mantém a atenção focada na Valve. Se a empresa realmente atingir o “preço competitivo” mencionado por Aldehayyat, poderá atrair tanto jogadores casuais quanto entusiastas que desejam um hardware de alto desempenho sem gastar como em um PC topo de linha. Por outro lado, se os valores se aproximarem das estimativas mais elevadas, a Steam Machine poderá enfrentar desafios para competir com consoles já estabelecidos.
Enquanto isso, consumidores e analistas aguardam ansiosamente pela definição oficial dos preços — que deve ocorrer ao longo de 2026. Até lá, o debate continua, com previsões que vão do acessível ao premium, refletindo as diferentes expectativas sobre o potencial da Steam Machine no mercado global de jogos.


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