Parece que a situação de MindsEye — o ambicioso projeto da Rocket Boy Games liderado por um ex-desenvolvedor da Rockstar — está cada vez mais crítica. Depois de uma recepção inicial morna e de uma base de jogadores praticamente inexistente, o estúdio decidiu lançar uma nova atualização chamada Arcadia, vendida como um grande salto criativo para o game. Mas, ao invés de salvar o título, a atualização acabou se tornando mais um motivo de revolta entre os poucos fãs que ainda permaneciam ativos.
A ideia, em teoria, era boa: Arcadia permitiria que os jogadores criassem suas próprias missões, modos de jogo e cenários dentro do universo de MindsEye. Um sistema semelhante ao Modo Criativo de Fortnite, que oferece ferramentas para a comunidade criar conteúdos personalizados e manter o jogo vivo. No entanto, o problema é que a chegada dessa atualização veio acompanhada de uma decisão inexplicável — a remoção completa do modo de exploração livre (Free Roam).
O que é o Arcadia e por que ele gerou tanta polêmica
Segundo o anúncio oficial da Rocket Boy, o Arcadia seria um novo serviço de streaming dentro do jogo, com suporte a criações de jogadores e integração direta com a comunidade. A promessa era oferecer “mais possibilidades, ferramentas e liberdade criativa” para expandir a experiência de MindsEye.
Porém, o que deveria ser um acréscimo acabou virando uma perda. O modo Free Roam — aquele que permitia aos jogadores explorarem livremente a cidade futurista após terminarem a campanha — foi simplesmente removido do jogo.
A justificativa oficial? Nenhuma. A empresa apenas informou que o novo modo Arcadia substitui a necessidade do modo livre, sugerindo que os jogadores agora podem criar suas próprias experiências “de mundo aberto” dentro do sistema criativo. Na prática, isso significa que o jogador só poderá explorar o mapa se criar seu próprio servidor online ou entrar em um criado por outro jogador.
E o pior: como o Arcadia funciona em formato de serviço de streaming, é necessário estar conectado à internet o tempo todo. Ou seja, se você quiser apenas dirigir, andar pela cidade ou testar veículos offline — esqueça. O jogo, que já sofria com limitações e bugs, agora depende totalmente de servidores online para oferecer uma experiência que antes estava disponível localmente.
Comunidade reage com indignação
A decisão causou uma enxurrada de críticas nas redes sociais e fóruns como Reddit e Steam. Muitos jogadores chamaram a mudança de “incompreensível” e “autodestrutiva”, considerando que MindsEye já enfrenta sérios problemas de falta de conteúdo e desempenho técnico.
“É inacreditável que um estúdio que tenta recuperar a confiança dos jogadores decida remover o único aspecto divertido do jogo”, comentou um usuário no Steam. Outro ironizou: “Parabéns, Rocket Boy, conseguiram piorar o que já era ruim.”
A comunidade também questiona a utilidade do Arcadia. Embora o sistema de criação pareça promissor em teoria, poucos acreditam que haverá uma base ativa suficiente para mantê-lo vivo. Segundo dados da SteamCharts, apenas 14 pessoas estavam jogando MindsEye na Steam durante o anúncio da atualização — um número ínfimo para justificar o investimento em um modo online dependente de usuários.
Um retrocesso disfarçado de inovação
O mais curioso é que o conceito de Arcadia não é realmente novo. Desde o lançamento original, MindsEye já contava com um sistema limitado de criação de missões e cenários. A diferença é que agora tudo isso foi repaginado com uma nova interface, novos nomes e a promessa de mais liberdade criativa.
Em outras palavras, a atualização não trouxe algo realmente inédito — apenas reembalou um recurso antigo e, de quebra, removeu um dos poucos modos offline disponíveis.
Para muitos, a decisão reflete o estado interno caótico da Rocket Boy. Nos últimos meses, o estúdio passou por demissões em massa, perdendo mais de 300 funcionários desde o lançamento do jogo. Há rumores de que problemas financeiros e disputas internas estejam prejudicando o desenvolvimento contínuo de MindsEye, o que explicaria a escassez de atualizações relevantes.
O fim do “competidor de GTA”?
Quando MindsEye foi anunciado, a expectativa era enorme. Afinal, ele era o projeto do ex-produtor de Grand Theft Auto, e os primeiros trailers prometiam um mundo aberto futurista com visual de tirar o fôlego — uma espécie de “GTA do futuro”.
Mas, ao chegar ao mercado, o jogo revelou-se extremamente limitado: missões lineares, ausência de liberdade, bugs graves e um mundo praticamente vazio. O modo Free Roam era o único resquício da promessa inicial de um “mundo aberto explorável”. Agora, com sua remoção, MindsEye parece ter enterrado de vez qualquer chance de competir com franquias como GTA ou Cyberpunk 2077.
Para piorar, a atualização Arcadia foi lançada apenas para PC, deixando jogadores de console de fora. Ou seja, a base já minúscula de usuários foi ainda mais fragmentada.
Um futuro incerto
Com tantos erros de gestão e uma comunidade desmotivada, o futuro de MindsEye parece cada vez mais sombrio. A comparação com o caso de No Man’s Sky — que renasceu após um desastre inicial — é inevitável. Mas, ao contrário do sucesso da Hello Games, a Rocket Boy parece incapaz de corrigir o rumo.
Enquanto jogos independentes conquistam milhões de jogadores com propostas simples e bem executadas, MindsEye se afunda em decisões confusas e em um ciclo de promessas quebradas.
Para muitos fãs, o jogo já não tem salvação. O modo livre — um dos poucos pontos de respiro — foi removido, e as novidades parecem focadas em um público que praticamente não existe mais.
No fim, a sensação é de que MindsEye se tornou o exemplo perfeito de como não administrar um jogo em crise.


Deixe o seu Comentário