Nas últimas semanas, a Microsoft tem enfrentado uma forte onda de críticas após o aumento expressivo dos valores das assinaturas do Xbox Game Pass. O reajuste, que praticamente dobrou o preço do serviço em algumas modalidades, gerou insatisfação entre jogadores em todo o mundo — especialmente no Brasil. Além do valor mais alto, usuários relatam uma queda na qualidade e na quantidade de recursos disponíveis nas categorias mais básicas do serviço.
As mudanças no Xbox Game Pass não se limitaram apenas ao preço. Diversos planos sofreram alterações em seus benefícios e acesso ao catálogo de jogos. O Game Pass Essential, por exemplo, deixou de oferecer títulos “day one” — ou seja, lançamentos disponíveis no mesmo dia em que chegam ao mercado. Agora, essa vantagem está restrita à categoria mais cara, o Game Pass Ultimate, que também passou a incluir assinaturas adicionais, como o Fortnite Crew e títulos do Ubisoft Plus Classics.
A reformulação fez com que jogadores e especialistas questionassem se o aumento realmente representa uma melhoria no serviço ou apenas uma forma de forçar o consumidor a migrar para os planos mais caros. A controvérsia ganhou força nas redes sociais, e o Procon foi acionado por diversos consumidores que alegam que a nova estrutura de planos pode configurar “venda casada”, prática considerada ilegal pelo Código de Defesa do Consumidor.
Aumento e perda de benefícios
Antes da mudança, o Game Pass era amplamente elogiado por seu custo-benefício. Os assinantes tinham acesso a uma grande biblioteca de jogos, incluindo lançamentos da Microsoft no primeiro dia, além de recursos como o xCloud, que permite jogar títulos via streaming.
Agora, o cenário é diferente. Com os novos planos, o Game Pass Essential oferece cerca de 50 jogos, escolhidos pela própria Microsoft, sem lançamentos recentes nem suporte ao xCloud. Já o Game Pass Core e o PC Game Pass contam com bibliotecas maiores, mas ainda com limitações.
Apenas o Game Pass Ultimate — que teve o maior reajuste — mantém o acesso completo aos jogos no lançamento, ao catálogo extenso e a novos conteúdos, além de incluir benefícios extras, como o EA Play, Ubisoft Classics e o clube mensal Fortnite Crew.
Apesar das adições, muitos jogadores consideram que os novos bônus não justificam o aumento expressivo no preço. Em fóruns e redes sociais, diversos usuários relatam o cancelamento da assinatura e afirmam que a Microsoft teria “dobrado o preço sem dobrar o valor entregue”.
Denúncias e análise do Procon
Com a repercussão negativa, surgiram denúncias formais ao Procon em diferentes estados brasileiros. Consumidores argumentam que a Microsoft estaria obrigando usuários a aderirem aos planos mais caros para manter recursos que antes faziam parte de opções mais acessíveis, o que poderia caracterizar venda casada.
Juristas consultados por veículos de imprensa explicam que a definição de venda casada depende da análise do órgão de defesa do consumidor. Caso o Procon entenda que o aumento e a reestruturação dos planos prejudicam a liberdade de escolha do consumidor, a Microsoft poderá ser notificada e até multada.
Por outro lado, a empresa pode defender que as novas modalidades apenas refletem uma segmentação de mercado, oferecendo níveis diferentes de benefícios e preços, algo comum em serviços digitais e de entretenimento.
A resposta oficial da Microsoft
Depois de dias de silêncio, a Microsoft finalmente se pronunciou sobre o caso, respondendo às críticas e questionamentos sobre o possível enquadramento como venda casada. Em nota, a empresa usou uma analogia inusitada para justificar as diferenças entre os planos do Game Pass: a comparação com academias.
Segundo a companhia, o serviço funciona de maneira semelhante a uma rede de academias que oferece planos básicos e premium. “Seria como se o plano mais básico permitisse apenas o acesso a academias simples, enquanto o plano mais completo dá acesso a academias equipadas com mais recursos, serviços de massagem e outros cuidados pessoais. Para isso, naturalmente, há cobranças diferentes”, afirmou a Microsoft.
A empresa acrescentou ainda que não há obrigatoriedade de assinar o Game Pass para acessar os jogos, já que o consumidor pode adquiri-los separadamente na loja digital do Xbox. “Logo, não há nada de irregular ou ilegal nisso. São práticas de mercado amplamente aceitas”, completou a nota.
Repercussão e críticas à analogia
A analogia, no entanto, foi recebida de forma negativa pela comunidade gamer e por especialistas do setor. Muitos consideraram a comparação com academias inadequada e distante da realidade dos serviços digitais.
Críticos argumentam que, ao contrário de academias, o Game Pass não oferece “estruturas físicas” ou serviços adicionais tangíveis, mas sim acesso digital a conteúdos que antes estavam disponíveis para todos os assinantes. Além disso, o argumento de que os jogos podem ser comprados separadamente não elimina o fato de que recursos e vantagens antes inclusos foram removidos das categorias mais baratas, forçando consumidores a optar por planos superiores.
Nas redes sociais, a reação foi imediata. Termos como “venda casada”, “Game Pass caríssimo” e “Microsoft fora da realidade” chegaram a figurar entre os assuntos mais comentados por comunidades de jogadores brasileiros.
Impacto e possíveis consequências
Especialistas em mercado afirmam que o movimento pode prejudicar a imagem da Microsoft no Brasil, um dos países com maior número de assinantes do Game Pass. Caso o Procon entenda que houve abuso, a empresa poderá ser obrigada a ajustar os preços ou reembolsar consumidores afetados.
Mesmo que o caso não resulte em punição formal, o dano de imagem já é significativo. A percepção de que a empresa estaria “desconectada” de sua base de usuários contrasta com o histórico da Microsoft, que sempre foi vista como uma das companhias mais abertas ao feedback da comunidade gamer.
Para muitos analistas, o episódio serve de alerta: em tempos de concorrência acirrada e aumento no custo de vida, transparência e flexibilidade são fatores fundamentais para manter a confiança do público.


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