O Xbox Game Pass, considerado um dos serviços mais inovadores da indústria de games, vive hoje um dos seus momentos mais turbulentos. A Microsoft anunciou um reajuste significativo no Brasil: o plano Ultimate, que custava R$ 59,99, passou a R$ 119,99 por mês — um aumento de 100%.
No cenário internacional, o aumento também foi criticado, mas menos drástico: nos Estados Unidos, por exemplo, o valor subiu de US$ 20 para US$ 30, representando 50% de alta. No entanto, para os jogadores brasileiros, o impacto foi muito maior e trouxe um sentimento de descaso.
A justificativa oficial da Microsoft
Em entrevista ao portal The Verge, Dustin Blackwell, diretor de comunicação de jogos da Microsoft, afirmou que a decisão “não foi leve” e que a empresa está adicionando mais valor ao serviço. Entre os pontos destacados estão:
Mais lançamentos anuais: promessa de mais de 75 títulos adicionados por ano, um crescimento de 50% em relação a 2024.
Integração de serviços extras: como Ubisoft Plus Classic e Fortnite Crew inclusos no plano Ultimate.
Expansão de plataformas: acesso via console, PC e streaming na nuvem.
Apesar das promessas, a percepção de muitos jogadores é que esses benefícios não compensam o salto de preço, especialmente no mercado brasileiro, onde o poder de compra é limitado.
A reação dos jogadores: cancelamentos em massa
Logo após o anúncio, comunidades online explodiram em críticas. Comentários de frustração dominaram redes sociais e fóruns, com frases como “vou cancelar” sendo repetidas em larga escala. A demanda por cancelamentos foi tão grande que a página oficial de encerramento de assinatura chegou a apresentar instabilidade.
Para muitos assinantes, a conta não fecha. Jogadores que focam em poucos títulos anuais — como FIFA, Fortnite ou Call of Duty — percebem que manter o Game Pass Ultimate sai mais caro do que simplesmente comprar os jogos individualmente.
O impacto no Brasil: um mercado esquecido?
O Brasil sempre foi um dos países onde o Game Pass brilhou mais intensamente. O serviço oferecia uma alternativa acessível para quem não podia pagar R$ 300 ou R$ 400 por cada jogo novo. Agora, com o preço anual ultrapassando R$ 1.400, a assinatura deixa de ser viável para a maioria.
Além disso, outros movimentos da Microsoft ampliam o sentimento de abandono dos brasileiros:
Fim da distribuição de mídias físicas no país.
Aumento no preço do Xbox Series S.
Escassez do Xbox Series X no varejo nacional.
Esse conjunto de fatores reforça a percepção de que a estratégia global da empresa não leva em conta as dificuldades do público brasileiro.
Vale a pena manter o Game Pass em 2025?
O novo preço só faz sentido para um grupo muito específico: jogadores com tempo e interesse em explorar dezenas de títulos diferentes por mês. Para o público casual ou para quem joga apenas alguns games, a assinatura se torna inviável.
Com isso, especialistas apontam que a melhor estratégia pode ser assinar apenas em períodos estratégicos — por exemplo, quando um lançamento de peso chega ao catálogo — e cancelar em seguida, evitando o custo anual elevado.
Um serviço ameaçado pelo próprio sucesso
O Xbox Game Pass já foi visto como a revolução do consumo de jogos, oferecendo acesso acessível a uma biblioteca vasta e com lançamentos Day One. Mas com o aumento de 100% no Brasil, muitos jogadores enxergam a mudança como um divisor de águas: de solução acessível, o serviço pode se transformar em luxo.


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