O lançamento do MindsEye, da Build A Rocket Boy, em junho de 2025, parecia promissor para os fãs de jogos de mundo aberto. Contudo, uma série de denúncias recentes feitas por ex-funcionários e apoiadas por uma carta ao sindicato britânico Game Works revela que a realidade nos bastidores foi bastante conturbada. A liderança do estúdio, segundo relatos, ignorava constantemente o feedback da equipe e, em alguns casos, ridicularizava preocupações legítimas sobre o desenvolvimento do título.
O ex-analista-chefe do MindsEye, Ben Newborn, que era responsável por coletar e organizar o feedback da equipe, afirmou à BBC que “muitos dos pontos que insistíamos eram simplesmente ignorados e nunca postos em prática”. Newborn detalha que sugestões críticas sobre mecânicas de jogo, balanceamento e narrativa simplesmente não eram consideradas pela liderança, o que gerou frustração entre desenvolvedores experientes.
A ex-produtora associada Margherita Peloso corroborou essas denúncias, descrevendo um ambiente de trabalho em que os superiores não apenas descartavam preocupações importantes, mas também reagiam com risadas diante de situações que poderiam prejudicar o jogo. “Havia um desprezo quase intencional pelos problemas que sinalizávamos”, disse Peloso. “Não se tratava de pequenas divergências criativas, mas de questões que afetavam a jogabilidade e a experiência do usuário final.”
Antes do lançamento, um vídeo interno começou a circular no estúdio mostrando o CEO Leslie Benzies jogando MindsEye e apontando pontos específicos que precisavam de alterações ou correções. Esses chamados “tíquetes Leslie” tinham prioridade absoluta. “Não importava o que mais você estivesse fazendo, o que mais estivesse sendo trabalhado, o tíquete Leslie tinha que ser resolvido”, relatou Newborn.
Segundo relatos, esses tíquetes resultavam frequentemente na remoção de missões inteiras, o que comprometia o planejamento original do jogo. Um ex-funcionário, identificado apenas como Jamie, comentou que a imposição dos tíquetes Leslie impedia os desenvolvedores de assumirem a responsabilidade pelo seu trabalho. “Era impossível tomar decisões criativas ou técnicas de forma independente. Cada passo tinha que passar pelo crivo dos tíquetes, o que atrasava processos e desmotivava a equipe”, disse Jamie.
Além disso, a carta enviada ao Game Works detalhou outros problemas de gestão, como falta de comunicação transparente, metas irreais e prazos apertados que sobrecarregavam a equipe. O documento assinado por funcionários atuais e antigos descreve um padrão contínuo de negligência e desrespeito pelo conhecimento técnico da equipe, indicando que essas falhas ocorreram durante meses, inclusive após o lançamento do jogo.
Apesar da repercussão, a Build A Rocket Boy não se pronunciou oficialmente sobre os relatos, nem forneceu informações sobre como pretende lidar com os problemas do MindsEye no futuro. Também não foi confirmado se uma sequência ou expansões do jogo estão em produção, deixando fãs e investidores sem respostas claras.
Especialistas em desenvolvimento de jogos comentam que a situação não é incomum em estúdios que enfrentam pressão intensa por prazos e expectativas de mercado. Contudo, quando líderes ignoram feedback crítico, o risco de falhas no produto final aumenta consideravelmente, afetando tanto a recepção do público quanto a saúde interna da equipe.
A comunidade de jogadores já começou a repercutir as denúncias nas redes sociais, discutindo como essas práticas podem ter impactado bugs, falhas de narrativa e problemas de jogabilidade presentes na versão lançada. Análises recentes do MindsEye apontam inconsistências na inteligência artificial, missões incompletas e mecânicas desbalanceadas, o que reforça os relatos de desenvolvedores sobre decisões mal conduzidas durante a produção.
Além do impacto direto no jogo, essas denúncias levantam questões sobre a cultura organizacional dentro de grandes estúdios de jogos. “Não é apenas sobre um jogo ou uma missão específica”, afirma Peloso. “É sobre respeito ao trabalho dos desenvolvedores e responsabilidade pela experiência que entregamos aos jogadores.”
O episódio do MindsEye serve como alerta para o setor de jogos, mostrando que problemas de gestão e falta de escuta ativa podem ter efeitos profundos tanto na qualidade do produto quanto no bem-estar da equipe. A expectativa agora é que a Build A Rocket Boy forneça esclarecimentos e medidas concretas para evitar que situações semelhantes ocorram em futuros lançamentos.
Enquanto isso, a análise da versão de lançamento do MindsEye continua sendo um ponto de referência para jornalistas e jogadores que tentam entender como as decisões internas impactaram diretamente a experiência final do jogo. Fique atento às próximas atualizações e possíveis respostas da equipe de desenvolvimento sobre a sequência ou atualizações do título.


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