Na última segunda-feira (29), o mercado de games foi surpreendido por uma notícia histórica: a EA Games foi vendida por US$ 55 bilhões para um consórcio formado pelo fundo saudita PIF (Public Investment Fund), em parceria com a Silver Lake (EUA) e a Affinity Partners. Com o acordo, a companhia deixa a bolsa de valores e passa a operar como empresa de capital fechado, sem a pressão direta de acionistas.
Segundo os conselhos executivos, a transação já foi aprovada e deve ser concluída no primeiro trimestre fiscal de 2027.
Quem comprou a EA Games?
O negócio foi fechado entre três grandes investidores:
PIF (Arábia Saudita): já tem presença no setor de jogos, com investimentos na SNK e participação na Take-Two.
Silver Lake (EUA): fundo do Vale do Silício especializado em tecnologia.
Affinity Partners: empresa ligada a investimentos globais, também com apoio do governo saudita.
A fusão de interesses consolida o grupo como um dos maiores conglomerados com participação na indústria dos games.
A liderança permanece
Apesar da venda, Andrew Wilson continuará como CEO da EA, mantendo a sede da empresa em Redmond, Califórnia. Em comunicado, Wilson destacou que o acordo permitirá acelerar inovações e expandir oportunidades:
“O trabalho criativo das nossas equipes já inspirou centenas de milhões de fãs. Esse momento representa o reconhecimento do valor que construímos e abre espaço para experiências transformadoras no futuro”, afirmou o executivo.
O discurso, no entanto, foi recebido com desconfiança por parte da comunidade gamer, acostumada ao tom corporativo da empresa.
Impactos esperados no mercado
Especialistas avaliam que a mudança não deve alterar significativamente o mercado como um todo, já que a EA não foi comprada por outra gigante dos jogos, como Microsoft, Sony ou Nintendo.
No entanto, para a própria EA, a transformação em capital fechado pode gerar alguns efeitos diretos:
Possíveis pontos positivos
Menos pressão de acionistas: estúdios poderão ter mais tempo para concluir jogos sem lançamentos apressados.
Qualidade de lançamentos: títulos como Star Wars Jedi: Survivor, que sofreu críticas por problemas técnicos, podem ganhar ciclos de desenvolvimento mais estáveis.
Riscos e preocupações
Monetização predatória: práticas como loot boxes e microtransações dificilmente devem diminuir; investidores podem até reforçar esse modelo.
Pouca transparência: como empresa fechada, a EA não terá a mesma obrigação de divulgar informações ao público e acionistas.
O que esperar daqui para frente
Embora a venda seja gigantesca em números — uma das maiores da história da indústria do entretenimento —, a EA continua sendo a EA: uma publisher independente, mas agora guiada por interesses de investidores externos.
Para os fãs, resta acompanhar como esse novo cenário afetará franquias icônicas como FIFA (EA Sports FC), Battlefield, The Sims e Mass Effect.
Se, por um lado, há expectativa de que os jogos cheguem ao mercado em melhor estado técnico, por outro, persiste o receio de que a monetização agressiva continue sendo prioridade.


Deixe o seu Comentário