A EA Sports causou surpresa na comunidade de gamers ao anunciar na terça-feira (18 de novembro) uma mudança drástica em sua estratégia para a franquia EA Sports F1. Ao invés de lançar um novo jogo completo para a temporada de 2026, a empresa optou por entregar uma DLC paga para o F1 2025. Essa decisão marca o fim do ciclo tradicional de jogos anuais — e pode sinalizar uma virada mais ampla na forma como os jogos esportivos da EA serão produzidos daqui para frente.
Segundo o anúncio oficial da EA, a expansão de conteúdo para o F1 2025 vai incluir as principais mudanças previstas para a temporada de 2026: novos carros, regulamentos, equipes e pilotos. Ou seja, os fãs que adquirirem essa DLC poderão experimentar a temporada de 2026 dentro do próprio jogo base, sem precisar comprar um game totalmente novo. A empresa justifica essa decisão como um passo estratégico, reconhecendo que muitos lançamentos anuais tendem a reciclar conteúdos e oferecer pequenas melhorias de um ano para outro.
Essa mudança tem precedentes, embora raros no universo de jogos esportivos de grande porte. Por trás dessa reformulação da franquia F1, a EA afirma que está preparando algo mais ambicioso para 2027: um jogo completamente renovado, com jogabilidade, visual e mecânicas repaginadas. Em parceria com a Fórmula 1 e suas equipes, a EA promete uma experiência “mais abrangente”, que vai agradar tanto os jogadores veteranos quanto os que buscam algo novo — mais opções de jogo, mais imersão, mais realismo.
Por que essa decisão é tão significativa
Tradicionalmente, franquias como FIFA (agora rebatizado de EA Sports FC), Madden e os próprios jogos de Fórmula 1 da EA lançavam edições anuais. Esse modelo vinha sendo criticado por muitos jogadores: a cada ano, o “novo” jogo trazia apenas atualizações de times, pilotos e regulamentos, com pouca inovação em termos de jogabilidade. Para muitos, era a mesma experiência reciclada em uma embalagem ligeiramente diferente.
A EA, segundo sua própria comunicação, admitiu que esse modelo era usado por ser “mais barato e mais lucrativo”: ao reciclar a base do jogo, a empresa evita custos elevados de desenvolvimento, enquanto continua gerando receitas recorrentes por meio de vendas anuais e microtransações.
A proposta de lançar DLCs ao invés de títulos completos tem apelo evidente aos jogadores: mais transparência, custo potencialmente menor, e a sensação de que não se está pagando por “o mesmo jogo de sempre”. Se essa abordagem se tornar padrão, trata-se de uma mudança estrutural importante — não apenas para a franquia F1, mas possivelmente para outros games esportivos da EA.
Como vai funcionar o F1 daqui para frente
De acordo com a EA, o F1 2025 foi um sucesso de crítica e comercial, impulsionado pela paixão dos fãs e pela energia do esporte. Agora, a expansão premium para a temporada de 2026 vai “endereçar todas as principais mudanças” previstas para aquela temporada, como novos carros, regulamentos e pilotos. Essa DLC será vendida separadamente, e só os jogadores que a adquirirem terão acesso à atualização.
Quanto ao F1 2027, segundo a EA, será um novo jogo “com aparência, jogabilidade e sensação diferentes”. A parceria com a Fórmula 1 e suas 11 equipes deve garantir fidelidade e realismo, mas também inovação: a EA promete reconstruir a experiência para oferecer “mais opções de jogo” e explorar novos formatos.
Para os jogadores, isso significa duas coisas principais:
Para 2026, não haverá compra de um novo jogo completo. Se quiserem o conteúdo da temporada, terão que comprar a DLC — o que pode sair mais barato (ou mais caro), dependendo do preço que a EA definir.
Para 2027, haverá um novo título, com mudanças mais significativas, possivelmente marcando um recomeço da franquia.
O que isso pode significar para o futuro do EA Sports
A decisão da EA na franquia F1 pode abrir um precedente para outras séries esportivas da empresa. Muitos fãs especulam: e se a EA fizer o mesmo com FIFA / EA Sports FC, Madden ou NBA? Em vez de lançar jogos anuais com poucas novidades, a empresa poderia oferecer um “jogo base” e vender atualizações sazonais via DLC ou “temporadas pagas”.
Para alguns consumidores, esse modelo representa mais justiça e transparência. Comprar um jogo completo e depois pagar apenas pelo que realmente muda — como jogadores, tempos, equipes — pode ser visto como mais honesto. Ao mesmo tempo, há ceticismo: se a EA cobrar muito por essas expansões, tudo se torna apenas uma nova forma de extrair dinheiro, como acontece com loot boxes e microtransações.
Outro ponto importante são os contratos de licenciamento: no esporte real, jogadores, equipes e marcas firmam acordos para uso de imagem. Se as temporadas viram DLCs, como a EA vai lidar com contratos que expiram? Será possível manter para sempre os elementos licenciados da franquia sem renovação constante? Essas são perguntas que muitos jogadores e analistas de mercado devem acompanhar com atenção.
Repercussão entre a comunidade de jogadores
Nas redes sociais, a reação foi mista. Parte da comunidade aplaude a mudança, vendo nela uma forma de romper com o modelo “jogo anual reciclado” que vem cansando muitos fãs. Outros demonstram preocupação: se a DLC for cara ou se a EA continuar adotando práticas agressivas de monetização, nada muda para quem paga.
Gamers veteranos destacam que algo semelhante já ocorreu em outras franquias menores ou menos massivas, mas raramente em franquias AAA tão grandes e lucrativas. A mudança, portanto, é vista por muitos como arriscada, mas também como um experimento necessário.
Há ainda quem defenda um modelo “jogo como serviço” (games-as-a-service) mais puro: comprar o jogo base uma vez e pagar por atualizações realistas, sem surpresas ou embalagens disfarçadas. Se bem executado, esse modelo poderia trazer benefícios tanto para a EA quanto para os jogadores.
O que esperar até 2027
Até o lançamento do novo título em 2027, a EA tem uma janela para construir confiança com a comunidade. Se a DLC de 2026 for bem precificada, com conteúdo robusto e justo, isso pode fortalecer a ideia de que a empresa está realmente mudando para um modelo mais transparente e centrado no jogador. Por outro lado, se o preço for elevado ou o DLC trouxer poucas novidades, os apelos por alternativas — ou até críticas ao futuro da franquia — devem crescer.
Além disso, a EA precisará lidar com os desafios contratuais e de licenciamento, garantindo que tenha liberação para manter arquivos de temporadas antigas e garantir conteúdo ao jogo base por mais tempo.
Com o anúncio de que não haverá um jogo pago completo de Fórmula 1 em 2026, mas sim uma expansão (DLC) para o F1 2025, a EA Sports rompe com décadas de lançamentos anuais. Essa decisão representa uma mudança estratégica significativa na forma como a empresa vê suas franquias esportivas — e pode ser o início de uma nova era para jogos como FIFA, Madden e outros.
Se bem sucedida, a abordagem pode trazer mais justiça para os consumidores e um modelo mais sustentável para a EA. Se falhar — com preços altos ou conteúdo insatisfatório —, pode reforçar o ceticismo em torno de empresas que priorizam lucro sobre inovação. Resta aos jogadores esperar por mais detalhes, acompanhar o lançamento da DLC e observar se o novo F1 de 2027 realmente entregará a experiência renovada prometida.


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