Em uma recente publicação no The X (antigo Twitter), Christofer Sundberg, cofundador da Avalanche Studios e atual diretor criativo da Liquid Swords, colocou um ponto final nas esperanças de que Just Cause 5 venha a acontecer. Segundo ele, o projeto seria “inviável”, já que os principais criadores que deram identidade à franquia já deixaram o estúdio.
A declaração foi feita em resposta a discussões sobre os projetos cancelados da Avalanche e rumores de que a série poderia retornar em breve. “#JC5 está fora de cogitação, já que pouquíssimos membros da equipe original ainda estão lá”, escreveu Sundberg, encerrando de vez as expectativas dos fãs por uma sequência direta do último título lançado em 2018.
“Perdemos a chama criativa”, afirma Sundberg
O desenvolvedor também refletiu sobre o que deu errado com Just Cause 4, lançado em dezembro de 2018, um jogo que recebeu críticas mistas e foi considerado por muitos uma das entradas mais frágeis da franquia. Sundberg explicou que problemas internos e pressões externas foram decisivos para o resultado final.
“Os problemas com JC4 foram em parte devido a eu (involuntariamente) me afastar da liderança criativa para lidar com questões corporativas, problemas com a editora, composição e funções da equipe”, afirmou.
Além disso, ele fez uma crítica à postura atual da Avalanche Studios, sugerindo que o estúdio perdeu a ousadia que caracterizava seus primeiros anos. “Eles precisam reacender a chama, arriscar, irritar as pessoas e fazer jogos que todos diziam ser impossíveis”, disse Sundberg, em tom de frustração.
Segundo o criador, Just Cause sempre foi mais do que apenas um jogo de mundo aberto com ação explosiva. Para ele, tratava-se de uma “filosofia de excessos alegres”, impulsionada por uma equipe que não temia desafiar os limites técnicos e criativos da época. Sem essa equipe, a série perderia o seu propósito original.
Contraband e o afastamento da Avalanche
Os comentários de Sundberg também reacenderam a discussão sobre Contraband, o ambicioso projeto em parceria com a Microsoft, anunciado oficialmente em 2021 como exclusivo para Xbox. Na época, o jogo foi apresentado como uma experiência cooperativa de mundo aberto ambientada nos anos 1970, mas nunca chegou a ver a luz do dia.
Sundberg aproveitou para esclarecer o papel de sua equipe no nascimento do projeto:
“Eu e minha equipe apresentamos Contraband à Microsoft em 2017 (e assinamos o contrato). Muita coisa mudou desde então, obviamente.”
Relatos recentes indicam que Contraband foi cancelado após uma série de cortes de custos internos na Avalanche. O estúdio, que já foi visto como uma força criativa independente, passou nos últimos anos por uma reestruturação profunda, resultando na saída de diversos talentos veteranos.
Para Sundberg, essas mudanças afetaram diretamente a identidade artística do estúdio e, consequentemente, sua capacidade de criar algo com o mesmo espírito que definiu Just Cause 2 (2010) e Just Cause 3 (2015), considerados pelos fãs os pontos altos da franquia.
A filosofia perdida de Just Cause
A série Just Cause sempre foi marcada por uma combinação de liberdade absurda, destruição em larga escala e humor explosivo, centrada nas façanhas do agente Rico Rodriguez. O sucesso veio justamente do equilíbrio entre caos e criatividade, algo que, segundo Sundberg, só foi possível graças à paixão e sintonia da equipe original.
“Just Cause não era apenas um conjunto de ferramentas. Era uma filosofia de excessos alegres construída por uma equipe específica”, explicou.
Sundberg acredita que, sem o envolvimento direto dessa equipe, uma sequência numerada acabaria se tornando um “exercício de marca”, uma tentativa de capitalizar sobre o nome sem respeitar o DNA que fez da série um ícone. “Não estou disposto a endossar isso”, completou.
A fala reforça o distanciamento entre o criador e sua antiga empresa. Desde que deixou a Avalanche em 2019, Sundberg vem concentrando esforços em sua nova desenvolvedora, a Liquid Swords, fundada com o propósito de “criar jogos ousados, narrativas intensas e experiências para os verdadeiros fãs de ação”.
O futuro da Avalanche e o legado da série
Apesar das declarações contundentes de Sundberg, a Avalanche Studios ainda não se pronunciou oficialmente sobre o futuro da franquia Just Cause. O último comunicado público do estúdio, emitido em 2023, mencionava apenas que a marca “ainda tem potencial para novas histórias”, sem confirmar se um Just Cause 5 estava em desenvolvimento.
Atualmente, a empresa se concentra em projetos menores e colaborações com grandes publishers. Entretanto, após os cortes e cancelamentos recentes, não há sinais concretos de que a série retornará tão cedo.
Enquanto isso, fãs de longa data continuam lembrando com nostalgia os momentos caóticos proporcionados por Rico Rodriguez — das explosões em cadeia às fugas impossíveis usando o gancho e o paraquedas.
Mesmo que Just Cause 5 nunca aconteça, o impacto da franquia permanece vivo no imaginário dos jogadores e no legado dos títulos que redefiniram o conceito de liberdade em jogos de ação.
As palavras de Christofer Sundberg não apenas fecham o ciclo de Just Cause como também servem de reflexão sobre os desafios da indústria moderna. Quando a visão criativa é sufocada por pressões corporativas, até mesmo as franquias mais vibrantes podem perder sua identidade.
Sundberg deixa claro que prefere preservar a memória da série a permitir que ela seja diluída em algo sem alma. Para ele, Just Cause sempre foi sinônimo de diversão explosiva e autenticidade, algo que, no momento, parece impossível de recriar.


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