A GeForce RTX 5080 chega ao mercado carregando um peso histórico. Por gerações, a linha “80” da Nvidia representou o ponto de equilíbrio ideal entre desempenho extremo e preço, sendo a escolha natural de gamers entusiastas que não queriam ou não podiam pagar pelo modelo topo de linha. Em 2025, no entanto, esse papel parece cada vez mais diluído.
Com a RTX 5090 ocupando um patamar quase inalcançável para a maioria dos consumidores, a expectativa em torno da RTX 5080 era alta. A promessa era clara: desempenho próximo ao topo da geração, novas tecnologias da arquitetura Blackwell e um preço “controlado” dentro do padrão histórico. A realidade, porém, mostra um cenário bem menos empolgante.
Especificações técnicas e posicionamento
A RTX 5080 chega ao mercado custando oficialmente US$ 1.000, valor que no Brasil facilmente ultrapassa os R$ 10.000. Em troca, o consumidor recebe uma GPU baseada na arquitetura Blackwell, fabricada novamente no processo TSMC 4N de 5 nanômetros, o mesmo usado na geração anterior.
Do ponto de vista técnico, os avanços são pontuais:
Pequeno aumento no número de núcleos CUDA em relação à RTX 4080 Super
Mesma capacidade de memória, agora em GDDR7
Cerca de 30% mais largura de banda
Novos núcleos de Ray Tracing e Tensor
Suporte a novos formatos de IA, como INT4
Por outro lado, o consumo sobe. O TDP passa de 320 W para 360 W, um crescimento considerável para um salto de desempenho modesto.
Bancada de testes
Para avaliar o desempenho da RTX 5080, foi utilizado um sistema topo de linha, eliminando gargalos de CPU:
Processador: Ryzen 7 9800X3D
Memória: 48 GB DDR5 a 6600 MT/s
Fonte: 1200 W
GPU testada: RTX 5080 Zotac Solid
Sistema operacional: Windows 11 atualizado
Os testes incluem benchmarks sintéticos, aplicações profissionais e jogos em resoluções elevadas, com foco em 1440p e 4K.
Desempenho em benchmarks sintéticos
Em benchmarks sintéticos, a RTX 5080 apresenta seus melhores resultados, especialmente em cenários que exploram ray tracing e cargas modernas.
No 3DMark Port Royal, focado exclusivamente em Ray Tracing, a placa abre vantagem relevante sobre a RTX 4080 Super, embora ainda fique atrás da RTX 4090. Já em testes DirectX 11 mais tradicionais, os ganhos são menores e revelam a limitação do avanço arquitetural.
Desempenho em jogos
É nos jogos que a RTX 5080 enfrenta seu maior desafio. A média geral de ganho sobre a RTX 4080 Super gira em torno de 15%, número considerado baixo para uma nova geração.
Tabela de desempenho médio em jogos
| Jogo | RTX 5080 vs RTX 4080 Super |
|---|---|
| Cyberpunk 2077 | +12% |
| Resident Evil 4 Remake | +17% |
| Black Myth Wukong | +14% |
| Fortnite | +20% |
| F1 2024 | +12% |
| Stalker 2 | +12% |
| Red Dead Redemption 2 | 0% |
| Média geral | ~15% |
Em alguns títulos, como Red Dead Redemption 2, simplesmente não há ganho perceptível. Em outros, o avanço existe, mas está longe de justificar sozinho a troca de hardware.
Comparação com gerações anteriores
Ao comparar com placas mais antigas, a RTX 5080 mostra números mais impressionantes, mas isso revela um problema estrutural.
RTX 5080 vs RTX 3080: cerca de +66%
RTX 3080 vs RTX 2080: cerca de +63%
Ou seja, hoje é necessário pular três gerações para sentir um salto semelhante ao que antes vinha em apenas uma. Isso evidencia o impacto do fim da Lei de Moore e da estagnação nos processos de fabricação.
Consumo e eficiência energética
O aumento de consumo é um dos pontos mais criticáveis da RTX 5080. Nos testes, a placa consome cerca de 20% a mais energia do que a RTX 4080 Super, enquanto o desempenho cresce menos do que isso em boa parte dos cenários.
Na prática, isso significa piora na eficiência energética, algo que contraria a tendência histórica das GPUs da Nvidia, que normalmente entregavam mais desempenho por watt a cada geração.
Aplicações profissionais
Se nos jogos a RTX 5080 decepciona, em aplicações profissionais o cenário muda. Em tarefas como renderização 3D e edição de vídeo, a arquitetura Blackwell mostra força e, em alguns casos, a RTX 5080 consegue igualar ou até superar a RTX 4090.
Esse desempenho, aliado a um preço menor que o da antiga topo de linha, torna a placa uma opção interessante para criadores de conteúdo e profissionais que usam GPU como ferramenta de trabalho.
Preço, concorrência e mercado
No segmento de US$ 1.000, a RTX 5080 reina praticamente sozinha. A AMD não oferece uma concorrente direta com desempenho equivalente, o que dá à Nvidia liberdade para lançar um produto pouco agressivo.
Essa ausência de concorrência explica, em parte, por que a RTX 5080 parece ter sido projetada para ser apenas “boa o suficiente”, sem ameaçar o posicionamento da RTX 5090 e suas margens de lucro superiores.
A RTX 5080 não é uma placa ruim. Ela é poderosa, moderna e capaz de rodar jogos em 4K com ray tracing ativado e boa taxa de quadros. O problema é o contexto.
Para quem já possui uma RTX 4080 ou 4080 Super, o upgrade simplesmente não faz sentido. O ganho médio de 15% é pequeno demais para justificar o investimento. Para quem vem de placas mais antigas, como a RTX 3080 ou anteriores, o salto existe, mas chega tarde e com preço elevado.
No fim, a RTX 5080 simboliza uma nova fase do mercado de GPUs: menos avanços geracionais, preços altos e evolução cada vez mais incremental. Ela cumpre o mínimo necessário para existir, mas está longe de manter o prestígio histórico da linha GeForce 80.


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