O lançamento de Battlefield 6 reacende uma das franquias mais emblemáticas dos jogos de tiro em primeira pessoa. Com visuais cinematográficos, ambientação destrutível e combates em larga escala, o título chega prometendo ser o ápice técnico da série. Mas, entre gráficos impressionantes e uma campanha esquecível, será que ele realmente vale os R$ 350 cobrados nas plataformas digitais?
Gráficos e performance: um espetáculo técnico
A primeira impressão que Battlefield 6 causa é de pura grandiosidade. No PC, com hardware robusto — como uma RTX 4090 —, o jogo atinge níveis visuais que beiram o foto realismo. A iluminação dinâmica, as texturas detalhadas e os efeitos de destruição colocam o título entre os mais bonitos da geração.
O destaque vai para os cenários massivos e vivos: arranha-céus colapsando em tempo real, vegetação realista e reflexos de luz que fazem cada mapa parecer uma superprodução de Hollywood. Ainda que o rosto dos personagens secundários careça de refinamento, a qualidade geral dos modelos e ambientes impressiona.
O áudio também é um ponto alto. O som das explosões, jatos e disparos cria uma imersão quase cinematográfica, principalmente com fones de alta qualidade ou sistemas de som surround.
Campanha: curta, bonita e esquecível
Apesar da apresentação impecável, a campanha de Battlefield 6 decepciona pela falta de profundidade narrativa. Ambientada em um futuro próximo, em 2028, a história acompanha o esquadrão Dagger 13 — uma unidade de elite da OTAN — enfrentando uma nova potência militar chamada Pax Armata.
O enredo é contado majoritariamente em flashbacks, o que fragmenta o ritmo e impede a criação de tensão real. Os personagens são genéricos e pouco memoráveis, e a ausência de um antagonista marcante reduz o impacto dramático.
A dublagem brasileira mantém a qualidade, mas o destaque da campanha é mesmo o espetáculo visual e a ação frenética. Em menos de 10 horas — ou até 7, para jogadores experientes — é possível concluir toda a história. Mesmo em dificuldade normal, os inimigos oferecem pouca resistência, com IA que raramente reage de forma estratégica.
Momentos cinematográficos de tirar o fôlego
Apesar da fragilidade narrativa, a campanha entrega momentos de puro entretenimento: explosões em larga escala, batalhas com tanques, missões furtivas e sequências aéreas que lembram grandes produções de ação. Um dos melhores capítulos, inclusive, oferece liberdade tática para abordar múltiplos objetivos, o que traz um sabor de estratégia e rejogabilidade que falta no restante da campanha.
No fim, a história funciona mais como um aquecimento para o verdadeiro ponto forte do jogo: o multiplayer.
Multiplayer: a verdadeira essência de Battlefield 6
O modo online é onde Battlefield 6 mostra todo o seu potencial. A franquia sempre se destacou por batalhas em grande escala, e aqui não é diferente: confrontos de 64 jogadores em mapas abertos, cheios de veículos, destruição e estratégias de equipe.
Mesmo nos testes antecipados com servidores limitados, já era possível perceber a qualidade do design de mapas e a fluidez da jogabilidade. Modos clássicos como Conquista e Rush retornam com força total, enquanto opções menores, de 8×8 e 12×12, oferecem combates mais intensos e diretos.
Classes e equilíbrio
As quatro classes principais — Assalto, Engenheiro, Médico e Suporte — trazem equilíbrio e incentivam o trabalho em equipe. Cada função possui habilidades específicas, como curar aliados, consertar veículos ou marcar inimigos, o que torna cada partida estratégica e dinâmica.
O sistema de progressão é bem estruturado, com várias opções de personalização para armas e equipamentos. A recompensa por cooperação é alta: reviver aliados, capturar objetivos e apoiar o esquadrão gera mais pontos do que apenas eliminar inimigos, incentivando um jogo coletivo e tático.
Destruição e realismo
A marca registrada da série continua presente. Prédios, muros e estruturas podem ser completamente destruídos, alterando o campo de batalha em tempo real. Essa característica dá ao multiplayer uma imprevisibilidade única: cada partida é diferente, com estratégias que mudam conforme o ambiente desaba ao redor.
A física e a sensação de impacto dos tiros reforçam o realismo. Poucos disparos são suficientes para eliminar um inimigo, o que torna a movimentação cautelosa e a cooperação indispensável.
Portal e futuro promissor
O modo Battlefield Portal promete expandir ainda mais a longevidade do jogo. Nele, a comunidade poderá criar modos personalizados, mapas e experiências únicas, misturando armas, veículos e regras de diferentes eras do Battlefield.
Embora ainda não estivesse disponível no período de análise, o potencial é enorme: corridas de jatos, desafios de parkour e confrontos históricos são apenas algumas das possibilidades já demonstradas nos trailers.
Além disso, há indícios de um modo Battle Royale em desenvolvimento, o que pode posicionar Battlefield 6 como uma alternativa robusta ao Warzone da Activision.
Preço e custo-benefício
Com preço inicial de R$ 350 nas lojas digitais (PlayStation Store e Xbox Live) e cerca de R$ 300 na versão para PC, Battlefield 6 é um investimento considerável. A boa notícia é que promoções e grupos de revenda física já oferecem o jogo por valores abaixo de R$ 320, tornando a compra mais acessível.
Considerando o valor, o multiplayer robusto e o suporte contínuo que a EA promete para futuras atualizações, o jogo pode compensar o investimento — especialmente para quem busca experiências competitivas e cooperativas online.
Veredito Final: Battlefield 6 é grandioso, mas não perfeito
Battlefield 6 é uma obra visual impressionante e uma experiência multiplayer empolgante, que reafirma a identidade da franquia em meio à concorrência feroz dos shooters modernos.
Por outro lado, a campanha curta e previsível deixa a desejar, e a inteligência artificial ainda precisa de ajustes.
Para quem compra o jogo em busca de batalhas épicas e realismo técnico, o título é altamente recomendado. Já quem busca uma campanha envolvente e narrativa memorável, talvez encontre mais do mesmo.
Battlefield 6 é o espetáculo visual e técnico que os fãs esperavam — mas sua guerra brilha muito mais no multiplayer do que na história.


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