Lançado em meados de 2025, Assassin’s Creed Shadows chegou aos consoles e PCs com grande expectativa. Ambientado no Japão feudal, o título prometia ser um marco na franquia da Ubisoft, tanto pelo novo cenário quanto pelo foco em personagens e temáticas inéditas. No entanto, passados mais de seis meses desde seu lançamento, as estimativas de mercado indicam que o desempenho comercial do jogo ficou muito abaixo do esperado.
De acordo com dados levantados pela Alineia Analytics, empresa especializada em estatísticas e tendências do setor de videogames, Assassin’s Creed Shadows teria vendido pouco mais de 4,3 milhões de cópias em todas as plataformas. Esses números colocam o título como o pior desempenho moderno da série — atrás de jogos como Mirage, Origins, Odyssey e Valhalla.
Comparação com títulos anteriores
A diferença de desempenho é significativa. Assassin’s Creed Mirage — lançado em 2023 como uma experiência mais compacta e voltada às raízes da franquia — alcançou a marca de 5 milhões de cópias em apenas três meses. Já Assassin’s Creed Valhalla (2020) ultrapassou 20 milhões de unidades vendidas e se tornou um dos maiores sucessos comerciais da Ubisoft.
Mesmo Assassin’s Creed Odyssey (2018) e Origins (2017), que introduziram a fórmula RPG adotada pela série nos últimos anos, venderam entre 10 e 14 milhões de cópias, respectivamente. A discrepância evidencia que Shadows não conseguiu repetir o sucesso de seus antecessores, mesmo sendo o título mais ambicioso e caro da franquia até o momento.
Possíveis causas para o baixo desempenho
Diversos fatores podem ter contribuído para o desempenho abaixo do esperado. Desde o período de pré-lançamento, Assassin’s Creed Shadows enfrentou polêmicas envolvendo decisões criativas, representações históricas e personagens, que dividiram a comunidade. Além disso, a campanha de marketing recebeu críticas por não comunicar com clareza o foco narrativo e o tom do jogo.
Outro ponto relevante é o custo elevado de produção. Estimativas indicam que o orçamento total de Shadows — somando desenvolvimento e marketing — ficou entre US$ 250 milhões e US$ 350 milhões. Considerando as vendas atuais e a queda de preço em promoções recentes, analistas avaliam que o jogo ainda não recuperou seu investimento inicial.
A Ubisoft também não divulgou números oficiais de vendas, algo que normalmente ocorre quando os resultados são positivos. Historicamente, a empresa francesa costuma celebrar publicamente recordes de vendas de suas principais franquias, como ocorreu com Valhalla. O silêncio em torno de Shadows reforça a percepção de que o título não atingiu as metas internas.
Desempenho por plataforma
A Alineia Analytics aponta que 56% das vendas ocorreram no PlayStation 5, principal mercado da Ubisoft. O Xbox representou cerca de 26%, enquanto o PC (via Steam) respondeu por 18% do total. Mesmo assim, os números no ecossistema PlayStation ficaram abaixo do esperado.
Para efeito de comparação, Ghost of Yote, outro jogo ambientado no Japão feudal e lançado de forma exclusiva para PlayStation, vendeu 2,5 milhões de cópias em apenas três semanas, superando Shadows no mesmo período. O contraste chamou atenção, especialmente porque Assassin’s Creed é uma franquia multiplataforma, com potencial de alcance muito maior.
Outro dado revelado é que apenas 1,6% das cópias de Shadows no PlayStation 5 foram vendidas no Japão, o que indica uma recepção morna até mesmo no país que serviu de cenário para o jogo. Tendo em vista o apelo cultural e temático, esperava-se uma presença mais significativa do público japonês.
Impacto financeiro e repercussões na Ubisoft
O desempenho de Assassin’s Creed Shadows ocorre em um momento delicado para a Ubisoft. Nos últimos anos, a empresa vem enfrentando quedas consecutivas em valor de mercado e uma série de reestruturações internas. Somente nos últimos seis meses, as ações da companhia teriam caído mais de 35%, refletindo a instabilidade financeira e a dificuldade em manter franquias lucrativas.
Com Far Cry em hiato e Tom Clancy’s Rainbow Six mantendo uma base estável, mas não crescente, a Ubisoft apostava fortemente em Shadows como um divisor de águas. O resultado, porém, mostra que a franquia Assassin’s Creed, embora ainda relevante, pode estar enfrentando sinais de desgaste após tantos anos de lançamentos anuais e mudanças de direção criativa.
Especialistas da indústria apontam que, para recuperar o prestígio, a Ubisoft precisará reavaliar sua estratégia de produção, possivelmente focando em títulos de menor escala e maior controle de qualidade, além de fortalecer a confiança do público com narrativas mais coesas e respeito às ambientações históricas — elementos que sempre foram marca registrada da franquia.
Comparativo histórico e perspectivas futuras
Em uma análise geral, o histórico recente de vendas da franquia é o seguinte:
Assassin’s Creed Valhalla (2020): 20 milhões de cópias
Assassin’s Creed Odyssey (2018): entre 12 e 14 milhões de cópias
Assassin’s Creed Origins (2017): cerca de 10 milhões de cópias
Assassin’s Creed Mirage (2023): 5 milhões de cópias
Assassin’s Creed Shadows (2025): aproximadamente 4,3 milhões de cópias
Esses números indicam uma tendência de queda contínua nas vendas dos títulos mais recentes, especialmente entre os lançamentos de maior orçamento. A resposta do público e da crítica também deve influenciar o futuro da série, já que Assassin’s Creed Codename Hexe, próximo título em desenvolvimento, ainda não possui data de lançamento definida.
Assassin’s Creed Shadows entrou para a história da franquia como um dos lançamentos mais ambiciosos — e também um dos mais controversos. As estimativas de vendas mostram que, apesar de seu potencial e da força do nome Assassin’s Creed, o título não conseguiu atender às expectativas comerciais da Ubisoft nem conquistar a base global de jogadores.
Com desafios financeiros crescentes e um público cada vez mais exigente, o desempenho de Shadows deve servir de alerta para o estúdio repensar sua abordagem em futuros projetos.


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