O ano de 2026 começou cercado de expectativas extremamente positivas para a indústria dos videogames. Com lançamentos altamente aguardados no horizonte, como um novo capítulo da franquia GTA, a continuação de Resident Evil, o retorno de Tomb Raider e diversas outras sequências de peso, muitos jogadores acreditavam que o período seria marcado apenas por sucessos. No entanto, o otimismo durou pouco.
Logo nas primeiras semanas de janeiro, a indústria já testemunha o que muitos estão chamando de primeiro grande flop de 2026. Lançado no dia 10 de janeiro, Code Violet chegou ao mercado como um exclusivo de PlayStation e rapidamente se tornou alvo de críticas severas, tanto da imprensa especializada quanto do público.
A promessa de um sucessor espiritual de Dino Crisis
Desde sua revelação, Code Violet foi apresentado como um jogo de terror e sobrevivência em terceira pessoa, claramente inspirado em clássicos do gênero. A proposta lembrava diretamente Dino Crisis, substituindo zumbis por dinossauros e apostando em ambientes fechados, tensão constante e uma protagonista forte.
O jogador assume o controle de Violet Sinclair, que se encontra presa em uma instalação misteriosa infestada por criaturas pré-históricas. A narrativa sugere conspirações, experimentos científicos e uma crise de grandes proporções, elementos que poderiam sustentar uma experiência envolvente. No papel, a ideia era promissora. Na prática, a execução ficou muito aquém do esperado.
Recepção crítica desastrosa no lançamento
Assim que as primeiras análises foram publicadas, ficou claro que Code Violet enfrentaria sérias dificuldades. No Metacritic, o jogo estreou com média aproximada de 4.0 entre críticos profissionais, uma nota considerada extremamente baixa mesmo para produções independentes.
O mais preocupante, porém, veio na sequência. As avaliações dos usuários ficaram ainda piores do que as da imprensa. Esse cenário indica um raro consenso negativo entre críticos, criadores de conteúdo e jogadores comuns, todos apontando problemas semelhantes e destacando a baixa qualidade geral do título.
Problemas técnicos e falhas gritantes
Um dos principais motivos para a rejeição de Code Violet está em seu estado técnico. Jogadores relatam uma grande quantidade de bugs, glitches e falhas visuais. Animações quebradas, personagens atravessando paredes, dinossauros presos em portas e objetos e cenas cinematográficas mal finalizadas são apenas alguns exemplos amplamente compartilhados nas redes sociais.
Em determinadas cutscenes, a protagonista simplesmente atravessa o cenário ou é transportada de forma abrupta, quebrando completamente a imersão. O fato de esses erros ocorrerem em cenas pré-renderizadas ou controladas pelo jogo levanta questionamentos sérios sobre o controle de qualidade durante o desenvolvimento.
Jogabilidade fraca e inteligência artificial limitada
Além dos problemas técnicos, a jogabilidade de Code Violet também é amplamente criticada. Apesar da ideia de enfrentar dinossauros ao longo de toda a campanha, a variedade de inimigos é mínima. Poucas criaturas se repetem constantemente, tornando a experiência previsível e cansativa.
A inteligência artificial é outro ponto negativo recorrente. Os inimigos apresentam comportamentos rudimentares, com padrões facilmente exploráveis. Muitas vezes, basta se afastar um pouco para que os dinossauros retornem ao ponto inicial, eliminando qualquer sensação real de ameaça.
O combate é descrito como pouco inspirado. Os inimigos funcionam como verdadeiras esponjas de dano, exigindo grandes quantidades de munição, enquanto os ataques sofridos pelo jogador contam com animações simples e pouco impactantes. Não há sistemas avançados, como interações contextuais ou mecânicas de risco e recompensa, comuns em jogos modernos do gênero.
Visual enganoso e uso questionável de assets
Visualmente, Code Violet consegue enganar em seus trailers. Em vídeos promocionais, o jogo aparenta ter uma ambientação interessante e gráficos aceitáveis. No entanto, durante a jogatina, os cenários se mostram genéricos e mal iluminados.
Elementos visuais parecem desconectados entre si, misturando objetos futuristas com itens antigos sem qualquer coerência estética. Isso reforçou as acusações de que o jogo faz uso excessivo de assets prontos da Unreal Engine, prática conhecida como asset flip, quando conteúdos comprados são utilizados sem adaptação ou direção artística consistente.
Preço elevado e polêmicas antes do lançamento
Outro fator que pesou negativamente foi o preço. Code Violet foi lançado na PlayStation Store por cerca de R$ 285, valor considerado alto para um jogo com tantas limitações técnicas. Para muitos consumidores, o custo não condiz com a qualidade entregue.
Antes mesmo do lançamento, o jogo já enfrentava controvérsias. A edição Deluxe apresentou problemas de distribuição, levando a Sony a oferecer reembolsos, algo incomum e que gerou ainda mais desconfiança em relação ao projeto.
Exclusividade, discurso controverso e acusações de hipocrisia
A decisão de lançar Code Violet exclusivamente no PlayStation também gerou debate. Os desenvolvedores afirmaram que não levariam o jogo ao PC para evitar mods considerados vulgares, alegando respeito às atrizes envolvidas e à visão artística do projeto.
A justificativa, no entanto, foi duramente criticada pela comunidade, principalmente porque o próprio jogo inclui roupas e skins altamente sexualizadas para a protagonista. Para muitos jogadores, o discurso não se sustenta diante do conteúdo apresentado, reforçando a percepção de hipocrisia por parte do estúdio.
Um flop precoce que serve de alerta
Com tantos problemas acumulados, Code Violet já é amplamente visto como o primeiro grande fracasso de 2026. Um jogo que tinha potencial para agradar fãs de terror e nostalgia acabou se tornando um exemplo de marketing enganoso e desenvolvimento apressado.
Para a Sony, o título representa mais um tropeço em sua estratégia de exclusivos. Para os jogadores, fica o alerta de que nem toda promessa ou trailer bem produzido garante uma experiência de qualidade. Code Violet entra para 2026 como um lançamento que dificilmente será esquecido, não por seus méritos, mas por tudo o que deu errado.


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