A base de jogadores de Call of Duty na Steam atravessa um de seus momentos mais delicados desde a chegada da franquia à plataforma da Valve. Nas últimas 24 horas, o aplicativo registrou um pico de aproximadamente 53 mil jogadores simultâneos, um número extremamente baixo para uma das marcas mais populares da indústria. A situação se agrava ao observar que, em 8 de janeiro de 2026, o pico foi ainda menor, alcançando apenas 39.015 jogadores simultâneos, o menor patamar registrado ao longo da semana.
O dado chama atenção principalmente quando comparado a concorrentes diretos. Battlefield 6, por exemplo, chegou a ultrapassar 700 mil jogadores simultâneos na Steam em seu auge e, mesmo após a queda natural do lançamento, ainda consegue se manter acima da marca de 100 mil jogadores com frequência. Títulos emergentes como ARC Raiders também vêm conquistando espaço e contribuindo para a fragmentação do público de shooters no PC.
Descontos e semana gratuita pouco impactaram os números
O aspecto mais preocupante para a Activision é que esses números já refletem descontos de fim de ano, promoções agressivas e até mesmo uma semana gratuita do aplicativo Call of Duty na Steam. Tradicionalmente, esse tipo de estratégia gera picos expressivos de engajamento, algo que claramente não aconteceu neste caso.
É importante destacar que o aplicativo Call of Duty reúne vários títulos da franquia em um único ecossistema, incluindo Call of Duty: Black Ops 7, Black Ops 6, Warzone, jogos da linha Modern Warfare e outros conteúdos integrados. Dessa forma, a queda observada não se limita a um único jogo, mas indica um declínio geral no engajamento da franquia na Steam.
Black Ops 7 e a recepção abaixo do esperado
Lançado no ano passado, Call of Duty: Black Ops 7 teve uma recepção morna, especialmente por conta de sua campanha, amplamente criticada por problemas narrativos, ritmo inconsistente e escolhas criativas controversas. A insatisfação se refletiu rapidamente na retenção de jogadores, sobretudo no PC.
O multiplayer e o modo Zumbis também enfrentaram críticas. Problemas recorrentes de netcode, falhas no registro de acertos e uma abordagem considerada excessivamente conservadora no Zumbis limitaram o potencial de longo prazo do jogo. Em análises especializadas, ambos os modos receberam nota 5 de 10, enquanto a campanha foi apontada como um dos pontos mais fracos da franquia nos últimos anos.
A Treyarch chegou a lançar uma atualização permitindo pular completamente a campanha e seguir direto para o Endgame, uma medida vista por muitos como uma tentativa de minimizar o impacto negativo da experiência solo.
Vendas fortes, mas engajamento fraco na Steam
Apesar do desempenho fraco na Steam, Call of Duty: Black Ops 7 liderou as vendas nos Estados Unidos em novembro de 2025, evidenciando que a força da marca permanece alta no varejo. Ainda assim, Battlefield 6 acabou se consolidando como o jogo premium mais vendido de 2026, reforçando a mudança de cenário no mercado de shooters.
Nos consoles, a situação é diferente. O aplicativo Call of Duty continua figurando entre os mais jogados da região, ficando atrás apenas de Fortnite e superando Grand Theft Auto V por uma margem estreita. Isso evidencia um contraste cada vez maior entre o desempenho da franquia nos consoles e na Steam.
Mudança de estratégia e a “próxima era” de Call of Duty
Diante da queda de engajamento, a Activision anunciou uma mudança significativa em sua estratégia de lançamentos. A empresa confirmou que não pretende mais lançar títulos consecutivos alternando entre Modern Warfare e Black Ops, sinalizando o fim de um modelo que vinha sendo utilizado há anos.
Segundo a publisher, o foco agora será inovação em larga escala, e não apenas ajustes incrementais. Embora os planos ainda não tenham sido detalhados, os estúdios da franquia afirmam estar trabalhando na chamada “próxima era de Call of Duty”. Considerando o ciclo atual, cresce a especulação de que o próximo grande lançamento possa ser Modern Warfare 4, possivelmente com mudanças estruturais profundas para recuperar a confiança do público no PC.
Um alerta claro para o futuro da franquia
A queda histórica da base de Call of Duty na Steam funciona como um sinal de alerta para a Activision. Mesmo com vendas expressivas e domínio nos consoles, o público de PC demonstra menor tolerância a problemas técnicos, falta de inovação e experiências consideradas recicladas.
Resta saber se a prometida nova fase da franquia será suficiente para reverter a tendência de queda e recolocar Call of Duty entre os jogos mais populares da Steam nos próximos anos.


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