Após anos de testes alfa e um longo período em acesso antecipado, Escape From Tarkov finalmente alcançou sua versão 1.0 e chegou oficialmente ao Steam, abrindo as portas para uma nova leva de jogadores no popular shooter PvPvE de extração. No entanto, o tão aguardado lançamento não aconteceu da forma triunfal que muitos esperavam. A recepção inicial foi marcada por avaliações divididas, reclamações sobre falhas técnicas, instabilidade de servidores e, principalmente, demora extrema no matchmaking.
Logo nas primeiras horas após o lançamento, a página do jogo no Steam registrou um fluxo intenso de novas avaliações, resultando em uma nota “Mista”, com apenas 45% das análises de usuários em inglês sendo positivas. Para um jogo que já construiu uma comunidade fiel fora da plataforma, a chegada ao Steam adicionou novas expectativas — e também trouxe atenção para problemas que muitos veteranos já conheciam.
Problemas técnicos dominam as críticas
Entre as avaliações negativas, um dos pontos mais recorrentes é a incapacidade dos servidores de lidar com o aumento repentino de jogadores, gerando quedas constantes, partidas interrompidas e tempo de resposta irregular. Segundo usuários, mesmo após a transição para a versão 1.0, os servidores não demonstraram estabilidade suficiente para comportar o volume atual, levantando dúvidas sobre o processo de polimento da desenvolvedora, a Battlestate Games.
Uma das críticas mais compartilhadas ecoa um sentimento antigo na comunidade: a sensação de que o jogo “nunca saiu realmente do beta”. Um usuário descreveu essa frustração de forma direta:
“A fina camada de polimento que eles vêm aplicando no jogo nos últimos 5 anos para prepará-lo para um lançamento da versão ‘1.0’ não vai impedir que os jogadores sejam beta testers não remunerados, nem vai encobrir a enorme dívida técnica e as inadequações que tornam o jogo tão frustrante.”
Além de problemas de estabilidade, trapaceiros também foram mencionados em diversos relatos. Jogadores afirmam que, mesmo após anos de ajustes no sistema anti-cheat, a versão completa continua a conviver com hackers, prejudicando partidas e fragilizando a experiência competitiva — especialmente em um jogo onde cada morte pode significar a perda total do equipamento conquistado.
Matchmaking lento revolta jogadores: até 40 minutos por partida
O ponto mais criticado no discurso dos novos usuários é o tempo excessivo para encontrar partidas, tanto nas filas de PMC quanto de Scav. Em alguns casos, jogadores reportaram esperar entre 20 e 40 minutos para entrar em um raid — um período inaceitável para qualquer título PvP moderno, especialmente um com foco na intensidade e repetição de partidas.
Um dos jogadores resumiu o problema:
“Este é um código defeituoso. Eu poderia relevar um lançamento ruim, problemas no servidor, otimização deficiente e bugs. Mas o matchmaking leva de 20 a 40 minutos tanto para Scav quanto para PMC.”
A demora não apenas atrapalha a experiência, como também distancia novos usuários, que chegam ao jogo por meio do Steam e esperam uma estrutura sólida após anos de desenvolvimento. Em comparação com outros shooters competitivos ou cooperativos do mercado, Tarkov acaba parecendo lento, instável e pouco otimizado.
Comparações com concorrentes e números no Steam
Embora a chegada ao Steam tenha aumentado a visibilidade do título, os números iniciais não alcançaram o impacto de outros lançamentos recentes, como ARC Raiders, que apresentou contagens simultâneas superiores. Segundo dados do SteamDB, o pico histórico de Escape From Tarkov na plataforma registrou 47.800 jogadores simultâneos, com 38.511 ativos no momento da publicação.
Ainda assim, vale lembrar que Tarkov já possuía uma enorme comunidade antes de chegar ao Steam. Durante toda a sua fase alfa, o game foi vendido exclusivamente pelo site oficial da Battlestate Games, acumulando centenas de milhares de jogadores independentes do ecossistema Steam. Portanto, a nova plataforma representa mais uma expansão que uma estreia absoluta.
Battlestate promete correções — e sugere versão para consoles
Diante das críticas, a desenvolvedora declarou estar trabalhando para resolver os problemas de servidores e aprimorar o desempenho geral. Em entrevista recente, Nikita Buyanov, diretor do jogo e figura central na comunidade, afirmou que a equipe está empenhada em melhorar a experiência pós-lançamento.
Buyanov também comentou sobre um desejo antigo dos fãs: uma versão de Escape From Tarkov para consoles. Embora não haja confirmação oficial de datas, o estúdio admite que o projeto está nos planos.
“Sim, estamos considerando a possibilidade de portar o jogo para consoles. Acho que quando começarmos a trabalhar nisso, implementaremos suporte completo para controles. É um desafio de design de jogos muito sério e interessante – criar controles confortáveis, levando em conta todas as mecânicas únicas de Tarkov.”
A afirmação reacende esperanças para usuários de PlayStation e Xbox que há anos pedem uma adaptação do jogo, embora a complexidade de sua interface e sistema de inventário sempre tenha sido vista como uma barreira significativa.
Um lançamento importante — mas marcado por problemas
O lançamento da versão 1.0 representa um marco para Escape From Tarkov, consolidando seu status de um dos shooters hardcore mais influentes da última década. Contudo, a transição para a “versão completa” trouxe consigo questionamentos sobre o ritmo de desenvolvimento, a preparação dos servidores e o estado geral do jogo.
Para uma comunidade que sempre foi apaixonada, mas crítica, a expectativa era que a chegada ao Steam representasse um novo começo. Em vez disso, muitos usuários enxergam o lançamento como um reflexo direto dos desafios técnicos que o jogo enfrenta há anos.
Ainda assim, para jogadores novos e veteranos, Tarkov continua oferecendo uma experiência única no cenário de shooters — tensa, profunda, estratégica e implacável. Com as correções prometidas pela Battlestate e o interesse crescente da comunidade global, resta observar se o estúdio conseguirá transformar a turbulência inicial em uma virada positiva.


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