“Não deveríamos estar aqui a céu aberto desse jeito.” É com essa sensação constante de vulnerabilidade que começa minha jornada em Arc Raiders, o novo jogo de tiro com foco em extração desenvolvido pela Embark Studios. Enquanto meus companheiros exploram tranquilamente carcaças de estruturas enferrujadas e caçam recursos, minha atenção está em cada movimento no horizonte. Em um jogo desse tipo, qualquer distração pode ser fatal.
Logo de início, encontrei fios e uma rocha vulcânica — itens simples, mas valiosos em um mundo onde sobreviver já é uma conquista. Como veterano de Escape from Tarkov, aprendi que, às vezes, escapar com o mínimo já é uma vitória. “Aproveite”, dizem os colegas de equipe, mas minha paranoia não me deixa relaxar: observo cada canto, atento a qualquer sinal de perigo.
Após perder o primeiro ponto de extração, continuo acompanhando o esquadrão pelas ruínas, sussurrando sobre linhas de visão e o risco de fazer barulho. Só depois de enfrentarmos alguns Wasp, drones voadores hostis, é que nos aproximamos de um novo ponto de extração. Finalmente, um local seguro? Errado. Em Arc Raiders, a tensão nunca acaba.
Dois jogadores surgem correndo sobre a crista da montanha. O instinto fala mais alto: preparo-me para o confronto, disparando o suficiente para quebrar seus escudos. Mas, surpreendentemente, eles recuam. Nenhum duelo mortal, nenhum golpe traiçoeiro por trás — apenas o silêncio antes da evacuação. O elevador chega, subimos e escapamos. A adrenalina ainda corre, mas percebo que nem todo jogo de extração precisa ser tão implacável quanto Tarkov.
Um mundo pós-apocalíptico de tirar o fôlego
Ambientado em um futuro devastado por robôs e inteligência artificial fora de controle, Arc Raiders combina ficção científica inspirada nos anos 70 e 80 com uma atmosfera opressiva e melancólica. Os sobreviventes vivem em abrigos subterrâneos, saindo à superfície apenas para coletar recursos e melhorar suas bases.
Visualmente, o jogo impressiona. A Embark Studios criou um universo repleto de contrastes: desertos tecnológicos, ruínas cobertas de névoa e gigantes de metal patrulhando o horizonte. Cada incursão transmite a sensação de desolação e, ao mesmo tempo, de descoberta — como se cada missão fosse uma luta não apenas contra inimigos, mas contra o próprio ambiente.
IA perigosa e jogadores imprevisíveis
O que diferencia Arc Raiders de outros títulos PvPvE (jogador contra jogador e ambiente) é o equilíbrio entre ameaças humanas e mecânicas. Os robôs Arc não são apenas obstáculos; são predadores. Sua inteligência artificial é refinada o suficiente para surpreender até jogadores experientes, obrigando decisões rápidas e táticas criativas.
Em vez de se limitar a confrontos diretos, o jogo incentiva abordagens variadas: furtividade, cooperação e improviso. A comunicação por chat de voz por proximidade adiciona uma camada extra de realismo — e tensão. Em meio ao caos, há momentos de genuína camaradagem entre jogadores que, por um breve instante, decidem se ajudar ao invés de se eliminar.
Mais acessível e imersivo que Escape from Tarkov
Enquanto Escape from Tarkov é conhecido por sua brutalidade e curva de aprendizado íngreme, Arc Raiders aposta em uma experiência mais equilibrada e acolhedora. Sem perder a essência do gênero, o jogo reduz a frustração e foca em imersão, progressão e diversão imediata.
Para quem busca adrenalina, mas não quer passar horas estudando mapas e mecânicas complexas, Arc Raiders é uma excelente porta de entrada no gênero de extração. Ele mantém a sensação de risco e recompensa, mas sem exigir dedicação exaustiva.
Um novo padrão para o gênero
Mesmo com um lançamento adiado após o teste técnico de abril — quando o diretor de design admitiu que “o jogo não estava pronto” e ainda havia “bugs graves” —, a Embark Studios parece ter usado bem o tempo extra. A versão atual mostra refinamento técnico, equilíbrio de gameplay e um mundo mais coeso.
Arc Raiders é, acima de tudo, uma prova de que há espaço para inovação no gênero de extração. Em vez de copiar a fórmula punitiva de Tarkov, o título sueco constrói sua própria identidade: um jogo tenso, visualmente incrível e, ao mesmo tempo, surpreendentemente humano.


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