Marcus Lehto, cocriador da lendária franquia Halo, voltou aos holofotes ao expressar sua profunda decepção com a Electronic Arts (EA) e a forma como o estúdio tratou os créditos de Battlefield 6. Segundo Lehto, a equipe da Ridgeline Games, que trabalhou intensamente na campanha do jogo por quase dois anos, foi praticamente apagada dos créditos oficiais.
O caso ganhou destaque após uma postagem de Lehto no LinkedIn, onde ele revelou que a equipe da Ridgeline trabalhou “incansavelmente por 1 a 2,5 anos” no desenvolvimento de Battlefield 6, mas foi relegada a uma menção genérica na seção de “Agradecimentos Especiais”. Ainda mais grave, alguns desenvolvedores que participaram ativamente do projeto sequer foram mencionados, incluindo o próprio Lehto.
Uma história de dedicação e esquecimento
A Ridgeline Games foi um dos vários estúdios envolvidos na ambiciosa produção de Battlefield 6, título que marcou o retorno da franquia após o polêmico Battlefield 2042. A EA havia prometido uma reestruturação completa da marca, unindo múltiplos estúdios sob um esforço colaborativo global.
Lehto, que ingressou na EA para liderar a Ridgeline, ajudou a moldar o conceito da campanha single-player do jogo. No entanto, após sua saída em 2024 e o subsequente fechamento do estúdio, o trabalho do grupo acabou sendo ofuscado.
“É decepcionante ver uma equipe que dedicou tanto tempo e paixão ser deixada de fora”, escreveu Lehto. “Eles mereciam mais do que um simples agradecimento. Mereciam reconhecimento real por seu esforço.”
Battlefield 6: sucesso comercial, controvérsia nos bastidores
Apesar das polêmicas, Battlefield 6 teve um lançamento comercial impressionante. Em apenas cinco dias, o jogo vendeu mais de 7 milhões de cópias, arrecadando cerca de US$ 350 milhões. O título foi elogiado por seus visuais realistas, mapas dinâmicos e modos multiplayer intensos, incluindo o aguardado modo Battle Royale que vazou antes do lançamento.
Ainda assim, o sucesso financeiro não impediu que surgissem críticas internas e externas. Para muitos, o caso da Ridgeline Games expõe uma prática recorrente na indústria: a falta de reconhecimento para equipes que são dissolvidas ou afastadas antes da conclusão de um projeto.
O fechamento da Ridgeline e o impacto das demissões
A situação torna-se ainda mais delicada quando lembramos que a EA fechou oficialmente a Ridgeline Games pouco depois da saída de Lehto, durante uma grande reestruturação que resultou na demissão de centenas de funcionários.
Na época, Lehto expressou tristeza ao ver a empresa sendo desmantelada. “Fiquei arrasado com a notícia. Aqueles desenvolvedores eram incrivelmente talentosos e representavam o futuro de Battlefield”, declarou.
Infelizmente, a Ridgeline não foi o único estúdio afetado. Entre 2024 e 2025, a EA reduziu drasticamente seu quadro de funcionários, atingindo estúdios de apoio e equipes de desenvolvimento de títulos importantes. Essa onda de demissões refletiu uma tendência maior em toda a indústria, com Microsoft, Tencent e Ubisoft também realizando cortes significativos.
A eterna luta por reconhecimento na indústria de games
Casos como o da Ridgeline não são isolados. Desenvolvedores frequentemente relatam serem omitidos de créditos após demissões, saídas antecipadas ou reestruturações internas. Embora algumas empresas tenham políticas claras sobre quem é creditado, outras mantêm critérios opacos — o que frequentemente gera controvérsias.
Especialistas da indústria apontam que a falta de transparência nos créditos prejudica carreiras, pois muitos profissionais dependem dessa visibilidade para comprovar sua experiência em futuros projetos. “Quando você é cortado dos créditos, é como se parte da sua carreira desaparecesse”, comenta um ex-desenvolvedor que trabalhou na EA, sob anonimato.
O legado de Marcus Lehto e a importância do crédito justo
Marcus Lehto é amplamente reconhecido por seu papel fundamental na criação de Halo: Combat Evolved, um dos jogos mais influentes da história. Sua carreira é marcada por inovação, liderança criativa e paixão pelo design de jogos. Sua crítica à EA ecoa entre muitos profissionais que veem o crédito não apenas como reconhecimento, mas como um símbolo de respeito e justiça.
Enquanto Battlefield 6 continua a dominar as vendas e manter uma base de jogadores ativa, a polêmica sobre os créditos da Ridgeline Games deixa uma mancha na reputação do projeto. Para Lehto e outros veteranos da indústria, essa é uma oportunidade de pressionar por mudanças significativas na forma como estúdios reconhecem seus colaboradores.
“Não se trata apenas de aparecer nos créditos”, disse Lehto. “Trata-se de honrar o trabalho das pessoas que deram seu tempo, talento e energia para tornar o jogo possível.”
O futuro da franquia Battlefield
A EA ainda não se pronunciou oficialmente sobre as críticas de Lehto. Internamente, a empresa segue trabalhando em atualizações e novos conteúdos para Battlefield 6, com planos de expandir o modo campanha e fortalecer o ecossistema multiplayer.
Enquanto isso, fãs e desenvolvedores continuam debatendo sobre ética, transparência e reconhecimento na indústria dos games — um tema que, assim como as batalhas épicas de Battlefield, está longe de ser encerrado.


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