Dois anos após o lançamento de Starfield, o ambicioso RPG espacial da Bethesda continua a gerar debates intensos entre fãs e profissionais da indústria. Em uma recente entrevista ao podcast FRVR, o ex-designer de sistemas Bruce Nesmith, conhecido por seu trabalho em Skyrim e Fallout 4, compartilhou reflexões sinceras sobre o projeto — elogiando o jogo, mas também apontando suas limitações estruturais e temáticas.
“Acho que é um bom jogo”, afirmou Nesmith. “Não está no mesmo nível de Fallout ou Elder Scrolls, mas ainda assim tenho orgulho do que fizemos. É um jogo sólido, e a equipe fez um trabalho incrível.”
Segundo o veterano designer, o maior desafio de Starfield foi justamente lidar com a vastidão e o vazio do espaço. Embora a Bethesda tenha apostado fortemente em uma experiência imersiva de exploração espacial, Nesmith acredita que essa proposta trouxe consigo obstáculos criativos que impactaram diretamente a jogabilidade e o engajamento dos jogadores.
“O espaço é inerentemente entediante”
Durante o podcast, Nesmith descreveu o espaço como um ambiente naturalmente desprovido de vida e ação.
“O espaço é literalmente descrito como o nada. Então, se mover por ele não é onde está a empolgação, na minha opinião”, explicou.
Para o designer, a sensação de vazio cósmico — embora realista — acabou tornando a experiência menos envolvente do que os mundos densamente povoados e interativos de Skyrim ou Fallout. “Quando os planetas começam a parecer muito parecidos e você não sente a mesma emoção, é aí que a coisa desmorona”, acrescentou.
Ele também comentou que a repetição de biomas e a falta de variedade entre os inimigos prejudicaram o senso de descoberta:
“Fiquei decepcionado quando percebi que o único inimigo sério que você enfrenta são pessoas. Existem criaturas alienígenas interessantes, mas elas funcionam como os lobos em Skyrim — estão lá, mas não acrescentam muito à narrativa ou aos desafios.”
Expectativas elevadas e o peso do nome Bethesda
Nesmith destacou ainda que o nome Bethesda Game Studios elevou as expectativas de Starfield a níveis quase impossíveis de atingir.
“Se esse jogo tivesse sido lançado por outro estúdio, teria sido recebido de forma diferente”, comentou.
De fato, Starfield chegou ao mercado com o peso de ser o primeiro grande universo inédito da Bethesda em mais de duas décadas. Com promessas de exploração interestelar, personalização de naves e centenas de planetas visitáveis, o título se tornou um dos lançamentos mais aguardados de 2023. Entretanto, após a empolgação inicial, muitos jogadores criticaram a falta de variedade nas missões, os tempos de carregamento frequentes e a sensação de isolamento em sua estrutura procedural.
Mesmo assim, o ex-designer reforçou seu orgulho pelo resultado final. “Trabalhei com uma equipe talentosa e dedicada. Starfield é um bom jogo — apenas não revolucionou o gênero como alguns esperavam”, concluiu.
O futuro de Starfield: novas expansões e rumores de versão para PS5
Apesar das críticas, Starfield continua vivo e em evolução. Em setembro, a Bethesda publicou nas redes sociais um teaser misterioso com a frase “Terran Armada”, o que levantou especulações sobre uma nova expansão.
O produtor criativo-chefe Tim Lamb confirmou recentemente que um novo DLC de história está em desenvolvimento. Embora os detalhes ainda sejam escassos, Lamb adiantou que o conteúdo trará “novos sistemas de jogo e algumas pequenas delícias para os fãs”. Ele também destacou que “há coisas realmente interessantes chegando de nossos criadores verificados”, sugerindo novas colaborações e conteúdos extras planejados para o futuro.
Rumores da comunidade indicam que esse segundo DLC pode chegar em 2026, possivelmente junto com o lançamento de Starfield para PlayStation 5 — algo amplamente especulado desde o anúncio do primeiro DLC, Shattered Space.
Atualmente, o jogo segue disponível apenas para PC e Xbox Series X/S, e está incluso no Xbox Game Pass. O primeiro DLC, Shattered Space, expandiu o universo com novas missões e áreas exploráveis, sendo bem recebido por jogadores que buscavam mais profundidade narrativa.
Entre a ambição e o realismo
As declarações de Bruce Nesmith reforçam um sentimento compartilhado por muitos: Starfield é uma obra ambiciosa, mas vítima das próprias proporções. Ao tentar capturar o realismo do espaço sideral, a Bethesda acabou criando uma experiência que, embora tecnicamente impressionante, carece da densidade emocional e narrativa que consagrou seus títulos anteriores.
Ainda assim, o jogo mantém uma base de fãs ativa e uma comunidade modder vibrante, responsável por adicionar conteúdos, melhorias e até sistemas inéditos. Com futuras atualizações e o novo DLC no horizonte, Starfield pode continuar a expandir seu universo — e, talvez, se aproximar do patamar lendário de Skyrim e Fallout.


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