A situação dentro da Ubisoft parece estar longe de se estabilizar. Poucos dias após o anúncio da criação da Vantage Studios, uma nova subsidiária fruto da parceria entre Ubisoft e Tencent para gerir franquias de peso como Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six, o estúdio francês volta a ser alvo de polêmica.
Dessa vez, o motivo é a saída de Mark-Alexis Côté, produtor executivo e vice-presidente de Assassin’s Creed, que trabalhou na empresa por quase 20 anos.
Uma saída cercada de contradições
Quando a Ubisoft anunciou a partida de Côté, o comunicado oficial afirmava que o desenvolvedor havia “decidido seguir novos caminhos por vontade própria”, após receber diversas ofertas para continuar no estúdio.
O texto elogiava sua liderança, criatividade e contribuição histórica para o sucesso da franquia, tentando passar uma imagem amigável da separação.
Entretanto, a narrativa mudou completamente quando o próprio Mark-Alexis veio a público para desmentir a versão da Ubisoft. Em uma publicação recente, o veterano revelou que não deixou o cargo por vontade própria, e sim foi afastado de sua posição de liderança na franquia.
“A verdade é simples: eu não tomei essa escolha. A Ubisoft decidiu transferir a liderança de Assassin’s Creed para alguém mais alinhado com sua nova estrutura organizacional”, declarou Côté.
O ex-executivo também explicou que até chegou a receber uma nova proposta, mas o cargo oferecido não tinha “o mesmo escopo, responsabilidade ou continuidade” com o trabalho que vinha realizando nos últimos anos.
Parceria com a Tencent pode ter influenciado a decisão
Desde o anúncio da parceria com a Tencent, há especulações de que o conglomerado chinês estaria assumindo maior influência dentro da Ubisoft, especialmente nas principais franquias da empresa.
A criação da Vantage Studios parece ser o primeiro passo dessa nova fase — e, segundo fontes internas, a substituição de Côté pode ter sido uma decisão estratégica para abrir espaço a novos executivos ligados à Tencent.
Essa movimentação reforça a percepção de que a Ubisoft atravessa um momento de reestruturação profunda, motivada tanto por quedas de desempenho em lançamentos recentes quanto pela busca de uma “nova visão criativa” sob supervisão internacional.
Uma relação desgastada com os fãs
As revelações de Côté colocam em xeque a credibilidade da Ubisoft diante do público. Após uma série de polêmicas envolvendo demissões, adiamentos, jogos mal recebidos e acusações de má gestão, a empresa agora enfrenta questionamentos sobre sua transparência.
Para muitos fãs, o episódio reforça a ideia de que a companhia tenta preservar sua imagem com narrativas controladas — mesmo que isso envolva omitir informações ou distorcer fatos.
Por outro lado, há quem veja nessa mudança uma oportunidade para renovar a franquia Assassin’s Creed, que vem enfrentando críticas pela repetição de fórmulas e por decisões criativas controversas.
Com a Tencent ganhando mais espaço, alguns analistas acreditam que a série pode passar por um “reboot silencioso”, com foco em inovação e maior apelo comercial para o mercado asiático.
O futuro da franquia
Mark-Alexis Côté foi uma das figuras centrais na construção de Assassin’s Creed, tendo atuado em títulos icônicos como Brotherhood, Syndicate e Assassin’s Creed III. Desde 2022, ele liderava a estratégia de longo prazo da série.
Agora, sua saída abrupta — e a maneira como ela foi conduzida — gera incertezas sobre o rumo da saga.
Ainda há cerca de dez projetos de Assassin’s Creed em desenvolvimento, incluindo títulos inéditos e experiências experimentais como Assassin’s Creed Infinity.
A dúvida que paira é se essas produções seguirão a visão de Côté ou se adotarão a nova filosofia imposta pela parceria Ubisoft-Tencent, que pode redefinir completamente a identidade da franquia.
De um jeito ou de outro, o episódio mostra que a Ubisoft vive uma das maiores crises de confiança de sua história — tanto internamente quanto com seu público.


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