A Ubisoft teria cancelado o desenvolvimento de um novo Assassin’s Creed ambientado nos Estados Unidos após a Guerra Civil, segundo um relatório do jornalista Stephen Totilo, do portal Game File. O projeto, ainda sem nome oficial, traria um protagonista ex-escravo negro recrutado pela Irmandade dos Assassinos em meio à ascensão da Ku Klux Klan — um enredo considerado “político demais” pela empresa.
De acordo com cinco desenvolvedores atuais e ex-funcionários da Ubisoft entrevistados sob anonimato, a decisão de cancelamento foi tomada após o desempenho comercial e crítico abaixo do esperado de Assassin’s Creed Shadows, lançado há poucos meses. O título, que tentou explorar o Japão feudal com um forte viés narrativo de inclusão e diversidade, acabou sendo um dos lançamentos mais polêmicos da história recente da franquia.
Internamente, a Ubisoft teria reconhecido que o foco excessivo em discursos ideológicos e representações controversas afastou parte significativa do público tradicional da série. Shadows, que trouxe o samurai africano Yasuke como protagonista, gerou debates intensos sobre revisionismo histórico, autenticidade cultural e saturação de pautas políticas em jogos.
Um novo Assassin’s Creed cancelado antes do anúncio
Segundo as fontes de Totilo, o jogo cancelado se passaria cerca de 12 anos após o fim da Guerra Civil Americana, explorando o período de reconstrução dos Estados Unidos e os conflitos sociais resultantes da abolição da escravidão. O protagonista, um ex-escravo em busca de liberdade no Oeste americano, seria introduzido à Irmandade dos Assassinos enquanto enfrentava conspirações e ameaças do recém-formado movimento supremacista branco.
Apesar da proposta historicamente rica, o enredo foi considerado arriscado pela direção da Ubisoft. Em um momento de forte polarização política nos EUA, os executivos temeram que o jogo reacendesse controvérsias sociais, gerando rejeição similar — ou até maior — à de Shadows.
Ubisoft e o peso da política nos games
O cancelamento marca um possível ponto de virada na estratégia da Ubisoft. Após anos sendo criticada por adotar discursos considerados “lacradores” e politizados, a empresa parece recuar em busca de títulos mais centrados em jogabilidade e narrativa histórica, características que consagraram a franquia no passado.
Franquias como Assassin’s Creed III, Liberation e o DLC Freedom Cry já haviam explorado temas como escravidão, racismo e colonialismo de forma respeitosa e contextualizada — algo que muitos fãs acreditam ter se perdido nas produções recentes.
O fracasso de Shadows e a repercussão negativa ao projeto cancelado indicam que a Ubisoft está reavaliando sua abordagem narrativa. A entrada de investidores sauditas e a boa recepção de Assassin’s Creed Mirage podem influenciar um retorno às origens da série, com foco maior em ação, sigilo e fidelidade histórica.
Um futuro incerto para a franquia
Embora a Ubisoft não tenha confirmado oficialmente o cancelamento, insiders relatam que o projeto foi arquivado ainda em fase conceitual. O estúdio estaria redirecionando esforços para um novo Assassin’s Creed menos político e mais voltado à essência da saga.


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