Depois do sucesso do remake de Silent Hill 2, produzido pela Bloober Team, a Konami decidiu expandir os horizontes da franquia. O resultado foi Silent Hill F, desenvolvido pela New Bards Entertainment, que aposta em uma mudança ousada: abandonar a icônica cidade americana e transportar o jogador para o Japão da era pós-guerra, mergulhando em um terror inspirado no folclore oriental.
Mas será que essa transformação funcionou?
Uma nova protagonista, um novo pesadelo
Em Silent Hill F, o jogador assume o papel de Hinako Shimizu, uma jovem marcada por conflitos familiares e pressões sociais da época. O cenário inicial é Ebissoga, uma vila aparentemente pacata, repleta de templos, mitos e tradições religiosas. No entanto, como manda a cartilha da franquia, a calmaria logo dá lugar a uma atmosfera sufocante: uma névoa densa cobre a região, habitantes desaparecem e criaturas grotescas emergem.
A jornada de Hinako combina a luta pela sobrevivência com o enfrentamento de traumas pessoais, oferecendo múltiplos finais que incentivam mais de uma jogatina.
Jogabilidade: entre o survival horror e inspirações em Soulslike
Diferente do Silent Hill 2 Remake, Silent Hill F foca no combate corpo a corpo. Armas brancas como facas, foices, martelos e espadas dominam o gameplay, com sistemas de golpes leves e fortes que exigem timing preciso.
O jogo também apresenta quatro barras principais para administrar:
Vida
Sanidade
Estamina
Durabilidade das armas
Como as armas podem quebrar, correr ou fugir em certas situações passa a ser uma estratégia essencial. Há ainda os chamados “Humores”, equipamentos especiais que concedem bônus temporários, adquiridos por meio de oferendas — recurso que também serve como a moeda do jogo.
Exploração e Puzzles
Embora não seja de mundo aberto, Silent Hill F traz áreas amplas repletas de itens escondidos, segredos e desafios ambientais. Os puzzles continuam sendo parte essencial da experiência, com dificuldade ajustável.
Gráficos e ambientação
Desenvolvido na Unreal Engine 5, o jogo impressiona visualmente. Os cenários transmitem com maestria o terror psicológico que marcou a franquia, com ambientes detalhados e efeitos sonoros que reforçam a tensão mesmo nos momentos de calmaria.
No entanto, alguns fãs apontaram limitações na linearidade dos cenários, além de questionarem se a falta de armas de fogo comprometeu a identidade clássica de Silent Hill.
Divisão entre os fãs: inovação ou descaracterização?
A escolha da Konami de ambientar a franquia no Japão e adotar o folclore oriental trouxe frescor narrativo, mas também gerou debates acalorados. Parte da comunidade considera que a essência de Silent Hill se perdeu, argumentando que o jogo poderia muito bem ser uma nova IP independente.
Por outro lado, defensores destacam que essa ousadia expande o universo da série, mostrando que Silent Hill pode existir além da cidade que lhe deu nome.
Silent Hill F é uma aposta ousada que divide opiniões. Não é um jogo perfeito — alguns elementos podem parecer distantes da essência original —, mas entrega um survival horror competente, visualmente impressionante e narrativamente intrigante.


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