A Radeon 9060 XT é uma placa X16 e, em tese, não deveria sofrer perdas relevantes ao ser utilizada em PCIe 3.0. Porém, ao colocá-la em diferentes cenários práticos — variando CPU, resolução, uso de upscaling e versões de 8 GB e 16 GB — os resultados mostram que a realidade é muito mais complexa do que simplesmente olhar para a especificação do barramento.
O objetivo foi claro: entender se vale a pena rodar a placa de 8 GB em uma plataforma antiga, como um Ryzen 5 5500 em PCIe 3.0, ou se a migração para PCIe 4.0 realmente muda o jogo. Para isso, os testes incluíram vários games modernos, tanto multiplayer quanto single player, além de resolução Full HD, Quad HD e cenários com e sem upscaling.
CPU: o primeiro e maior gargalo
Nos jogos competitivos como Battlefield 6 e Call of Duty Warzone, os dados foram claros: quem está limitando o desempenho aqui é a CPU, não a VRAM e, em muitos casos, nem o barramento.
Com o Ryzen 5 5500 em PCIe 3.0, a placa de 8 GB e a de 16 GB entregaram praticamente o mesmo desempenho, com pequenas variações que se explicam por oscilação de rodada. Em outras palavras: nesses jogos, a quantidade de VRAM não teve impacto real porque não houve estouro, nem swap. O que a placa entrega é o que a CPU consegue acompanhar — e ponto final.
Já com o Ryzen 9800X3D em PCIe 4.0, os quadros sobem consideravelmente. Isso deixa claro que, para quem busca FPS alto em multiplayer, o upgrade de CPU gera ganhos reais e perceptíveis. Saindo da média de 100–120 FPS no 5500, é possível atingir faixas entre 160 e 180 FPS com um processador mais forte, além de melhorar o tempo de resposta e reduzir o input lag.
Ou seja: se o seu foco for competitivo, seu dinheiro estará melhor investido em CPU do que em 16 GB de VRAM.
Single player: quando a VRAM importa (e muito)
Nos jogos single player, a história muda drasticamente. Títulos como Alan Wake 2, Shadows, Clair Obscure, Cronos, Oblivion, Stellar Blade (RF) e Spider-Man 2 trouxeram um novo protagonista: o swap de VRAM.
Em diversos cenários, a versão de 8 GB em PCIe 3.0 sofre para lidar com a carga de texturas, especialmente em Quad HD ou com presets altos. Quando isso acontece, o jogo começa a alocar conteúdos na memória RAM do sistema, provocando quedas severas de desempenho, stutters e perdas que chegaram a:
17% a 30% na média de FPS
Até 55% no 1% low
Em contrapartida, a versão de 16 GB se sobressai nesses cenários, reduzindo ou eliminando o swap. Isso ficou evidente em jogos como Oblivion e Spider-Man 2, onde a diferença entre 8 e 16 GB foi grande, mesmo em PCIe 3.0.
Mas aqui vem um dado surpreendente…
O barramento 4.0 mostrou que ainda é prioridade
Em vários testes, a versão de 8 GB em PCIe 4.0 conseguiu superar a versão de 16 GB em PCIe 3.0. Isso é simplesmente surreal, considerando que a 9060 XT é X16.
Em média, a 8 GB em 4.0 entregou algo em torno de:
7% a 10% a mais de FPS médio
Até 22% de vantagem em estabilidade (1% low)
Ou seja, mesmo com metade da VRAM, o maior throughput do PCIe 4.0 ajudou a reduzir gargalos e melhorar a entrega de dados em jogos pesados, principalmente nos mais sensíveis à largura de banda.
Isso mostra algo extremamente importante:
Em diversas situações, o barramento teve mais impacto do que a própria VRAM adicional.
Esse padrão apareceu em múltiplos jogos e também em cenários com upscaling, inclusive de forma inesperada — já que teoricamente o upscaling deveria diminuir a pressão sobre a VRAM, mas em alguns casos a diferença aumentou em vez de diminuir.
Full HD x Quad HD: o divisor de águas
Em Full HD, a 9060 XT de 8 GB dá conta da maioria dos jogos, especialmente quando se ajusta corretamente as configurações gráficas. Em muitos casos, simplesmente reduzir de “alto” para “médio” elimina os gargalos e entrega uma performance estável.
Já em Quad HD, a história muda completamente. Texturas mais pesadas tornam os 8 GB um limite real, e a versão de 16 GB passa a ser uma escolha quase obrigatória para quem quer jogar no alto sem quedas bruscas.
O mais interessante:
Uma placa de 16 GB em PCIe 3.0 pode sim superar uma de 8 GB em PCIe 4.0, mas a diferença muitas vezes é menor do que o esperado. O barramento ainda consegue segurar muito bem a performance da versão menor.
Então… compensa usar a 9060 XT em PCIe 3.0 com Ryzen 5 5500?
A resposta honesta é: sim, dá para usar, mas com ressalvas importantes.
Você pode rodar a 9060 XT com o Ryzen 5 5500 em PCIe 3.0 e ter:
Bom desempenho em jogos multiplayer
Full HD fluido
Experiência aceitável em single player
Mas você não terá a mesma estabilidade, nem o mesmo FPS ou consistência de frames de um sistema em PCIe 4.0.
Em jogos pesados, o risco de perder:
30% a 50% de desempenho
Estabilidade nos 1% lows
Fluidez por causa de swap
é muito real, especialmente com a versão de 8 GB.
Se a sua configuração permitir, um upgrade para uma B550 (PCIe 4.0) e um Ryzen 7 5700X já muda completamente o cenário, entregando muito mais daquilo que a placa realmente pode oferecer.
O maior aprendizado dessa análise
Mesmo sendo uma placa X16, a Radeon 9060 XT mostrou que:
O PCIe 4.0 faz diferença real
VRAM de 16 GB é essencial para Quad HD
CPU forte é determinante em multiplayer
8 GB ainda é viável, mas exige mais cuidado
Esta análise não apenas levanta uma discussão importante sobre VRAM, mas acende um alerta claro:
migrar para uma plataforma PCIe 4.0 pode ser mais vantajoso do que simplesmente comprar uma GPU com mais memória.


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